São Paulo - Mostrando a camiseta furada e um ferimento no peito, o camelô William Dantas de Souza, de 20 anos, dizia ter sido atingido por uma das bombas de gás lacrimogêneo lançadas durante o confronto com a Força Tática da Polícia Militar, nas imediações da Rua 25 de Março. Mas foi só a confusão terminar e os policiais deixarem o local e lá estava ele, montando novamente sua barraca. ''A gente já está acostumado com o 'rapa'. Quase todo dia é assim.''
Policiais e guardas chegaram à Rua 25 de Março ainda na noite de terça-feira para organizar o terceiro dia de blitz e impedir a montagem da feirinha da madrugada. Irritados, os ambulantes começaram o confronto às 7 horas. A polícia reagiu lançando bombas de gás lacrimogêneo.
Às 10 horas, a PM tomou novamente a rua. E foram mais bombas e muita correria. Até esse horário, poucas lojas abriram. Só um ou outro consumidor apareceu. A ação atende a uma sentença judicial, pedida pelo Ministério Público Estadual (MPE). Pela decisão, os camelôs teriam de ser retirados do centro até o fim de julho. De acordo com a Secretaria de Negócios Jurídicos, a Prefeitura de São Paulo ganhou mais tempo, após alegar não ter sido citada no processo.
Souza diz que não vai desistir do trabalho como ambulante. E está preparado para lutar. Vai participar de uma manifestação programada para hoje, às 10 horas, com camelôs de toda a cidade. Os ambulantes se reunirão na 25 de Março para protestar contra a operação conjunta da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e da Polícia Militar. ''Vem gente para aguentar o que for.''
Da Ladeira da Constituição, um grupo de camelôs organizou uma passeata que seguiu até a Praça do Patriarca. Lá, ordenaram o fechamento de alguns estabelecimentos. O comerciante Diógenes Pereira Galvão, de 54 anos, se recusou a fechar a lanchonete e acabou sendo agredido. Foi levado para o Pronto-Socorro Vergueiro, com cortes na cabeça.
A caminhada continuou pela Rua São Bento, onde ocorreu o confronto mais violento. A rua ficou tomada pelo gás e houve feridos entre os camelôs. Souza foi um deles. A PM deteve seis pessoas, liberadas em seguida. Os comerciantes da região só começaram a abrir as lojas às 11h30.
Mesmo coagidos, os camelôs não deixaram a rua. Na primeira oportunidade, estendiam um pano no chão e ofereciam seus produtos. Depois do meio-dia, até os consumidores circulavam pelo local.
Desde o início do mês, a Prefeitura vem combatendo os irregulares no centro. Na madrugada de segunda-feira, a operação foi intensificada, passando a contar com a PM. Cerca de cem policiais têm participado da atuação diariamente, além dos 200 guardas.
Segundo o secretário das subprefeituras, Antônio Donato Madormo, a ação vai continuar. Ele acredita que a situação vá estar normalizada até o fim de agosto. Depois, a operação será feita em áreas como Lapa e Santo Amaro.

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