Curitiba- Um segundo acidente com trens da América Latina Logística (ALL), concessionária da linha férrea da Malha Sul desde 1997, ocorreu ontem por volta do meio-dia no município de Mafra (SC). O acidente foi a menos de dez quilômetros do local onde outra composição descarrilou e derramou óleo no Rio Negro, divisa entre os estados de Santa Catarina e Paraná, na última segunda-feira.
A notícia do segundo acidente mobilizou os órgãos ambientais e as companhias de água e saneamento dos dois estados, preocupados com o abastecimento de água das cidades de Mafra e Rio Negro, que deve ser retomado somente a partir de hoje.
De acordo com a ALL, o segundo acidente envolveu uma composição com cerca de 70 vagões, carregados com óleo vegetal, soja e farelo de soja. Segundo comunicado da ALL, houve vazamento, mas foi contido e não contaminou os rios da região. A informação não foi confirmada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e nem pelo órgão de meio ambiente do estado de Santa Catarina (Fatma).
O acidente ocorreu cerca de 48 horas após um primeiro descarrilamento ter provocado danos ambientais com o derrame de óleo no Rio Negro, que deixou as populações de Mafra e Rio Negro sem água. A ALL sustentou que o óleo derramado era vegetal e que não faz mal à saúde.
Ontem os técnicos da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) recolheram amostras de líquido para serem enviadas para exames de laboratório, e anteciparam que havia óleo diesel misturado à água.
Informações extra-oficiais davam conta que o derrame de óleo no Rio Negro, ocorrido em função do acidente de segunda-feira, foi superior aos 10 mil litros divulgados pela ALL ontem.
A Sanepar emitiu nota avisando que o abastecimento de água será reiniciado hoje por volta de meio-dia, e a expectativa da empresa é que o abastecimento seja totalmente normalizado somente a partir do sábado. Ainda assim, a empresa disse que o sistema está frágil e pode ser afetado por interferências externas, como a ocorrência de chuvas que podem prejudicar a formação de barreiras de contenção. Com isso o óleo pode voltar a contaminar o sistema de captação de água.
As populações de Rio Negro e Mafra ainda sofrem com a falta de água. Para o abastecimento de Rio Negro, a Sanepar estava recorrendo a dez caminhões-pipa que estavam levando água de Curitiba (que fica distante 110 km). Mas o volume de água era insuficiente e estava sendo direcionado apenas para abastecer hospitais, creches, escolas e postos de saúde.

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