Mais três pessoas são mortas a tiros em Jacareí
Mais três pessoas são
mortas a tiros em Jacareí
Agência Folha
O prefeito de Jacareí (interior de São Paulo), Benedicto Sérgio Lencioni (PSDB), criticou convocou para hoje uma reunião para cobrar agilidade das autoridades policiais. Devido à morte da professora Beatriz Junqueira da Silveira Santos na semana passada, professores farão uma passeata hoje em protesto contra a falta de segurança na cidade. No sábado, mais três pessoas foram mortas a tiros em Jacareí. A polícia investiga e prefere, a princípio, não fazer ligações com o assassinato de Beatriz.
O corpo de Beatriz foi exumado anteontem. A polícia confirmou o uso de arma de fogo. Segundo o delegado Agnaldo Fracaroli, foram encontrados três grãos de chumbo alojados no crânio da vítima. Ele afirma que a exumação foi necessária para evitar dúvidas no julgamento. Anteontem também foi realizada a reconstituição do crime. Segundo o delegado, o inquérito sobre o crime será concluído hoje. A polícia investiga uma eventual ligação do crime com uma acusação de tráfico de crack contra a menor S.R.J., na escola onde Beatriz era sub-diretora. Tal acusação causou o afastamento da menina.
Um grupo de homens armados matou a tiros na noite de anteontem o vendedor Márcio Roberto Damasceno, 23 anos, e a namorada dele, Nilcéia Caetana dos Santos, 18 anos. O grupo invadiu a casa onde o casal de encontrava, na rua Francisco Sá, 10, bairro do Rio Comprido, em Jacareí. Poucos minutos depois, Dorival Aparecido de Oliveira foi morto a tiros na rua Rio de Janeiro, no mesmo bairro (divisa de Jacareí com São José dos Campos).
A polícia ainda não sabe se os homicídios têm ligações com a morte da professora Beatriz Junqueira.
Walter Camacho, de 18 anos, o Português, preso em Jacareí e acusado da morte de Beatriz, disse que a professora pediu para ser morta ao ser sequestrada por ele e seu amigo C.G.S., 16 anos, o Xuxa. No meio do caminho (entre Jacareí e São Bernardo do Campo), ela falava: me mata, me mata, afirmou ele anteontem:
Agência Folha - Por que matar uma ex-professora sua? Você a odiava a esse ponto?
Walter Camacho- Ela me expulsou da escola em 92. Eu tinha muita raiva dela.
Por que você cometeu o crime seis anos depois de ser expulso? Alguma pessoa ligado ao tráfico de drogas poderia ter o influenciado?
Camacho - Não tem ninguém. Foi vingança mesmo. Eu tinha muita raiva dela mesmo.
A menina S.R.J. tem alguma ligação com você? Você tem conhecimento de que ela estaria envolvida com o tráfico de drogas?
Camacho- Não conheço essa menina. O meu crime não tem nenhuma relação com o tráfico.
No trajeto entre Jacareí e São Bernardo do Campo, vocês e a
professora conversaram?
Camacho- Conversamos. Mas ela estava muito nervosa. No meio do caminho, ela só falava: me mata, me mata. Mas a intenção não era matar. Mas sei lá. Vem coisas na cabeça e você acaba cometendo a bobagem.
Está arrependido?
Camacho- Até dar o tiro na cabeça dela, não tinha nenhum sentimento por ela, só raiva. Mas depois me deu arrependimento.
O que vale a vida para você?
Camacho- Não sei responder.
Faltou alguma coisa na sua formação?
Camacho- Meus pais fizeram o que puderam. Eu não sei. Sou filho de português. Eu também nasci em Portugal. A gente não sabe por que entra nessa vida.
Você chorou quando reconstituiu o crime. Por que?
Camacho - Se pudesse voltar, não teria feito aquilo. A gente aqui fica parecendo bicho acuado, com jornalista e polícia para todo lado. Mas eu pedi por isso. Fiz, tenho que pagar.
Você está com o nariz com sangue ressecado. Foi espancado por alguém?
Camacho - Não quero falar. Não fui espancado.
Você tem alguma coisa para falar para a família da professora?
Camacho- Não





