Mais rumores sobre resignação de Habibie
Jacarta, 09 (AE-AP) - Apesar de desmentidos oficiais, rumores sobre uma iminente renúncia do presidente B. J. Habibie voltaram a sacudir a Indonésia.
O meio político e os mercados foram tomados por conversas sobre a crise em Timor Leste e uma série de reuniões governamentais ocorridas no dia anterior. Os rumores foram reforçados depois que o Jacarta Post, em sua edição de hoje, afirmou que Habibie teria levantado a questão da renúncia durante uma reunião com altos oficiais.
Em Auckland, capital da Nova Zelândia e local de uma cúpula de países do Pacífico que será realizada neste fim de semana, autoridades afirmaram que os militares indonésios já retiraram de Habibie muito de seu poder político efetivo.
Segundo um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores neozelandês, que pediu para não ser identificado, o ministro indonésio da Defesa, general Wiranto, está trabalhando segundo sua própria agenda.
Para as fontes, as recentes ações de Wiranto indicam que ele tem controle efetivo no governo e que decidirá no futuro se organizará um golpe militar ou um golpe constitucional.
Em Jacarta, fontes próximas ao alto escalão do exército indonésio confirmaram que Wiranto havia assumido maiores poderes. Ele também tem a intenção, segundo as mesmas fontes, de realizar uma transição suave de poder, ao invés de ser meramente acusado de golpista.
Se as fontes em Nova Zelândia e Jacarta provarem estar corretas, as circunstâncias poderiam colocar em dúvida o resultado final das eleições parlamentares de junho. É esperado que tal pleito culmine com a nomeação da populista Megawati Sukarnoputri como presidente do país em novembro.
Apesar dos últimos acontecimentos, Wiranto, que também ocupa o posto de chefe das Forças Armadas, negou que Habibie esteja planejando renunciar. Em entrevista à rede de televisão CNN, o porta-voz presidencial também negou qualquer possibilidade de renúncia.
Habibie está sendo alvo de intensa crítica devido à sua incapacidade de lidar com a crise do Timor Leste, a qual enfraqueceu seu governo e poderá transformar a Indonésia numa nação pária no cenário internacional.
O todo-poderoso exército indonésio está furioso com Habibie por ele ter permitido a realização do referendo de Timor Leste, que gerou uma onda de violência que atingiu todo o território.





