Mais quatro mulheres acusam o motoboy
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quarta-feira, 12 de agosto de 1998
Marcelo Godoy Agência Folha 
Quatro mulheres reconheceram ontem o motoboy Francisco de Assis Pereira, 30 anos, como o homem que as violentou. Duas delas pediram à polícia que ficassem frente a frente com o homem que confessou a morte de dez mulheres no parque do Estado, zona sudeste de São Paulo.
De acordo com o delegado Carlos Targino da Silva, da 4ª Delegacia de Tentativas de Homicídos e de Lesões Corporais, as mulheres não tiveram nenhuma dúvida ao reconhecê-lo. Uma das que o viram de perto, ficou emocionada e chegou a chorar, afirmou.
Pereira será acusado, nesses casos, de atentado violento ao pudor (todo ato sexual violento diferente da penetração da vagina) e de roubo. Após violentá-las, ele subtraía dinheiro e objetos das vítimas, disse o delegado.
Após os reconhecimento, as mulheres prestaram novo depoimento, desta vez, como vítimas - elas já haviam sido ouvidas como testemunhas no inquérito sobre as mortes no parque do Estado.
As mulheres descreveram como foram atraídas ao parque com a proposta de posarem para fotos de catálogos de uma empresa de cosméticos. Afirmaram que Pereira também lhes prometia um cachê que variava entre R$ 200 e R$ 300.
Três delas foram abandonadas amarradas no parque e uma foi levada pelo maníaco até as proximidades de uma estação de metrô. Eram 3 horas da madrugada, e ela pediu ao motoboy que não a abandonasse na mata, onde poderia ser morta. Então, ele (Pereira) a levou de moto à estação, disse Silva.
Segundo o delegado, uma outra vítima afirmou que, após violentá-la, o motoboy chorou muito ao contar-lhe a vida. A maioria das vítimas disse ter sido atacada no primeiro semestre de 1997.
Pereira negou todos esses crimes ao ser interrogado e confessar os assassinatos. Disse que apenas uma mulher escapou com vida de um ataque no parque.
Segundo o delegado Jurandir Correa de SantAnna, diretor da Divisão de Homicídios, já são 11 as vítimas que procuraram a polícia para acusar Pereira. Duas outras disseram ter sido abordadas pelo motoboy, mas recusaram acompanhá-lo ao parque.
O motoboy foi interrogado ontem até o início da noite no inquérito que apura a morte da vendedora Raquel Mota Rodrigues, 23 anos, ocorrida em 10 de janeiro passado. Em seguida ele foi indiciado (acusado formalmente) por mais esse crime. Ele já está indiciado no inquérito sobre a morte da balconista Selma Ferreira Queiroz, 18 anos. As outras vítimas de Pereira que foram identificadas pela polícia, além de Raquel Mota Rodrigues e Selma Ferreira, são Elizângela Francisco da Silva, 21 anos, e Patrícia Gonçalves Marinho, 24 anos.
Um telefonema anônimo, anteontem à noite, acabou com a procura de Rosana Carsoni, de 23 anos, que estava desaparecida e poderia ser uma das vítimas do maníaco do parque. Um homem conversou com o pai de Rosana, Nelson Carsoni, e disse tê-la visto trabalhando como balconista na Padaria Gustare, em Copacabana, no Rio.
Na padaria, funcionários confirmaram, ontem, que ela começou a trabalhar no dia 18 de junho. Dois dias antes, havia saído de casa, em Diadema, na Grande São Paulo, para procurar emprego e nunca mais voltou. Carsoni segue hoje para o Rio, com um investigador do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), para reencontrar Rosana. Ele não sabe o que ocorreu com a filha. Só ela poderá dizer.


