Roma, 21 (AE-AP) - O negócio do século no setor de telecomunicações, a fusão da Telecom Italia com a Deutsche Telekom, está mais próximo de ocorrer com a aprovação do acordo, hoje (21), pelo conselho de administração da companhia italiana. A união das duas empresas permitirá criar o maior grupo mundial de telecomunicações, avaliado em US$ 190 bilhões.
Os termos da fusão, cujo anúncio estava agendado para a madrugada de amanhã, ainda deverão ser aprovados por 90% dos acionistas da Telecom Italia, que também têm sobre a mesa outras duas propostas de união, entre elas uma oferta hostil da Olivetti, que ofereceu US$ 65 bilhões - grande parte em dinheiro - para ficar com a companhia italiana.
A transação com a Deutsche Telekom não envolve dinheiro vivo, apenas troca de ações, mas poderá assegurar um expressivo aumento da lucratividade das duas empresas que detinham o monopólio do setor e vinham sofrendo os efeitos da desregulamentação sobre esse mercado.
De acordo com analistas, no entanto, a dificuldade da Deutsche Telekom em adaptar-se ao fim do monopólio do mercado e o fato de o governo alemão ainda possuir 72% da empresa são fatores que podem levar os acionistas da Telecom Italia a preferir a oferta Olivetti.
A Deutsche Telekom deve oferecer uma ação por três ações ordinárias da Telecom Italia, disse um membro da diretoria da telefônica italiana, na terça-feira. Pelo preço de fechamento das ações da Deutsche Telekom no pregão de ontem, de 36,08 euros, a oferta seria de 12,02 euros por ação da Telecom Italia, superando a oferta da Olivetti, de 11,5 euros em dinheiro, ações e bônus.
A Telecom Italia não informou o que será feito das ações que não pertencem à empresa na subsidiária de telefonia móvel Telecom Italia Mobile. Fontes próximas do negócio, no entanto, dizem que a nova companhia provavelmente comprará as ações da subsidiária em um segundo estágio, adicionando mais 20 bilhões de euros à transação de 80 bilhões de euros.
O governo alemão não vai limitar seus direitos de voto em sua parcela na companhia, mas vai deixar de intervir na administração depois da aquisição, informou o membro da diretoria.

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