Londrina - Pelo menos 40% dos resíduos sólidos coletados no País ainda têm destino inadequado, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). "Não temos espaço para continuar com essa prática do século passado. Os municípios já tiveram mais de 30 anos para acabar com os lixões, desde que o problema ganhou a possibilidade de ser criminalizado com as leis ambientais", argumenta o porta-voz da Abrelpe, Carlos Silva Filho.

Na opinião dele, defender a prorrogação dos prazos para que as cidades implementem a gestão integrada dos resíduos sólidos é um retrocesso. O tema, salienta, também precisa ser tratado como prioridade pelos gestores, a fim de que se tenha evolução no cenário ambiental. "A lei não impõe que seja criado aterro sanitário, mas que se tenha uma gestão integrada e responsável. Isso pode ser feito com o uso de diversas tecnologias e medidas simples, que envolvam a comunidade e aproveitem matérias-primas", pontua.

A justificativa de que a falta de projetos para a área vem da escassez de recursos também não convence o representante da Abrelpe. Para Silva, é possível resolver a questão com recursos próprios e orientação técnica de entidades como a associação. "O plano de resíduos também não precisa ter a elaboração contratada. Para fazê-lo é simples, mas é preciso ter tempo e dedicação. Cidades de médio e pequeno porte podem desenvolvê-lo no período de três a seis meses", aponta. O primeiro passo, orienta, é fazer um diagnóstico da situação no município. Em seguida, deve-se analisar as possibilidades de ação e traçar metas para os primeiros cinco anos de atuação.

Silva ainda destaca que o primeiro impacto negativo de continuar com práticas inadequadas é a contaminação do solo e da água. Em seguida, vem o surgimento de doenças, principalmente para a população mais carente. "Com certeza, ao encerrar o mandato, os gestores que organizaram o gerenciamento dos resíduos vão deixar um legado muito importante para sua cidade, eles devem ter isso como meta. A sustentabilidade já é um conceito muito caro em nossa sociedade", conclui.

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