Mais informação, menos TPM
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domingo, 01 de abril de 2007
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Esqueça aquela imagem da mulher irritada e chorosa durante o período pré-menstrual. Uma nova abordagem médica, que propicia o autoconhecimento, está libertando as mulheres desse estereótipo e ajudando-as a vencer os incômodos da tensão pré-menstrual (TPM).
A ginecologista Lisete Benzoni, de Londrina, explica que a TPM era encarada como um distúrbio dos hormônios femininos. Mas esse enfoque vem sendo revisto, e o que era considerado ''distúrbio'' é, na verdade, normal. ''O que acontece é a falta de conhecimento das fases do ciclo da mulher'', afirma.
A mulher, segundo a médica, é bifásica em seu comportamento - ora está aberta para o mundo, ora está mais introspectiva. E o que é preciso, segundo a pedagoga Sônia Gois, e a psicóloga Ruth Gois, que, junto com a ginecologista, ministraram uma oficina sobre o tema em Londrina, é adequar as atividades e as expectativas de acordo com a fase do mês. ''E não entrar em briga consigo mesma'', afirmam.
As fases da mulher, explica Lisete, se justificam pela ação dos hormônios ao longo do ciclo menstrual. A primeira, que começa no primeiro dia da menstruação e vai até a ovulação (por volta do 11º ao 14º dia, dependendo da mulher), é caracterizada pelo ação do estrogênio. Esse hormônio ativa a capacidade cognitiva, deixa a mulher extremamente ligada ao que acontece ao redor e propicia um dos comportamentos femininos mais característicos - fazer várias coisas ao mesmo tempo. ''Nessa fase, a mulher consegue trabalhar, falar ao telefone, cuidar do filho, do marido e pensar no supermercado, tudo ao mesmo tempo e sem problemas'', exemplifica Lisete.
Na segunda fase, depois da ovulação, quem entra em ação é a progesterona, que deixa a mulher mais sensível, mais introspectiva, com mais intuição e com maior capacidade de entender o sentimento do outro. Nesta fase, ela não consegue fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, mas querendo ser tão ativa quando na primeira, sofre tentando se adequar. ''E aí vem a irritabilidade'', avalia a psicóloga.
Pode parecer fácil obedecer aos ciclos dos hormônios, mas não é. Até porque, como lembram as especialistas, vivemos em uma sociedade ''testosterônica'', regida pelos hormônios e universo masculinos. ''A própria mulher se vê a partir de um conceito masculino e quer se adequar a ele, mas como não consegue fica achando que é 'anormal', numa fase em que na verdade ela não deveria assumir tantos compromissos'', alerta a pedagoga.
Claro que existem também os sintomas físicos da TPM, como inchaço e dor de cabeça. ''Mas se a mulher sabe lidar com o resto, toma um analgésico e sai para a vida. Só de fazer uma caminhada, por exemplo, que libera endorfinas, é possível minimizar esses sintomas'', explica Lisete, lembrando que nessa fase o corpo retém água e fica mais lento por causa da preparação para a gravidez.
Assumir a própria feminilidade e se adequar ao ciclo dos hormônios, característicos da natureza feminina, segundo a ginecologista, tem ainda mais uma vantagem - ajudar a evidenciar outras doenças. Ela explica que em 80% das mulheres que têm TPM, o problema é só saber aceitar a fase da progesterona, quando fica menos ativa. Mas em 20% dos casos, a TPM mascara outros distúrbios de comportamento, como a depressão, que precisa de tratamento específico.


