Los Angeles (AE-REUTERS) - Se Lora Manka se sente sonolenta durante sua jornada de trabalho, ela vai para uma área que seu chefe destinou para os funcionários cochilarem e dorme um pouco. "Se comi muito no almoço, eu apenas quero me deitar por 10 ou 15 minutos. Ou se não estou me sentindo bem algumas vezes gosto de descansar", disse Manka, uma especialista em relações públicas da firma de arquitetura e design Gould Evans Goodman Associados, da Cidade do Kansas, no Missouri. Ela é parte de uma revolução que está acontecendo em muitas companhias nos Estados Unidos, onde os trabalhadores, estressados com tarefas desagradáveis, longos turnos e datas de entrega apertadas estão baixando as mãos e dormindo no emprego - cada vez mais com as bênçãos de seus gerentes.
O racional é que um curto cochilo ajuda os trabalhadores a atuarem em sua melhor forma pelo resto do dia. Em alguns casos
firmas constróem áreas especiais de descanso para que os funcionários cochilem. A Gould Evans, por exemplo, destinou uma pequena área chamada "tendas dos exaustos" para seus 150 funcionários que trabalham duro. As tendas, em turquesa claro e roxo, contêm travesseiros e cobertores, protetores para os olhos
fitas cassete - e relógios com alarmes. "Os arquitetos geralmente varam a noite. As pessoas podem terminar trabalhando mais se puderem dormir aqui ao invés de voltarem para casa. Nós tentamos não manter as pessoas aqui, mas a realidade é que algumas vezes precisamos delas", disse Manka. "A esposa do dono, Karen Gould, apareceu com a idéia das tendas porque eles não podiam acomodar mudanças nas configurações do escritório. Ela pensou, Deus, nós realmente precisamos de um lugar para eles irem ao invés de machucarem seus pescoços em suas mesas".
"A maioria dos americanos é privada de dormir", disse William Anthony, autor do livro "A Arte do Cochilo". "As pessoas dormem 20% menos agora do que dormiam antes de Edison inventar a lâmpada", ele disse. A semana típica de trabalho é cerca de sete horas maior do que era apenas alguns anos atrás. A Fundação Nacional do Sono (FNS) em Washington reporta que 56% de todos os adultos que trabalham experimentam significante sonolência durante o horário de trabalho e 34% daqueles que dizem se sentir sonolentos, dizem se sentir "perigosamente assim". Mais ainda, 20% dos 25 milhões de trabalhadores de turnos que executam suas tarefas fora do horário normal dizem que regularmente acabam dormindo no emprego. As perdas de produção causadas por funcionários sonolentos, diz a FNS, estão estimadas em US$ 18 bilhões por ano.
A FNS diz que não tem o número de firmas que permitem ou encorajam o cochilo no trabalho. Mas a entidade divulgou que em muitas indústrias incluindo de transportes, escritórios de direito, alta tecnologia e outras o relógio nunca para. O exército dos Estados Unidos está considerando medir quanto de descanso um soldado tem e destacá-lo para deveres de acordo com isso. "Nós agora temos uma sociedade que funciona durante a noite, o que não acontecia na virada do século passado. Sinto que as pessoas deveriam estar dormindo mais durante a noite, coisa que elas não fazem. A solução é deixar as pessoas dormirem mais no trabalho porque todos os tipos de falhas ocorrem quando elas estão com sono", disse Anthony. Estudos mostraram que o cochilo melhora a memória, o humor, a prontidão, a criatividade, a capacidade de comunicação, de julgamento, a segurança no trabalho e a produtividade. Não há maneira melhor de aumentar a produtividade no dia de trabalho com 24 horas do novo milênio do que uma soneca, disse Gerald Celente, autor do livro "Tendência 2000". "A era global do dia de trabalho não é mais restrita por parâmetros 9-a-5", disse Celente. "É um dia de trabalho de 24 horas e você apenas não pode ser produtivo trabalhando como o relógio. Pressione as pessoas por muito tempo e elas cometerão erros. Elas irão quebrar a companhia".
As pessoas cochilaram através da história, disse Anthony. Os gênios Thomas Edison e Leonardo Da Vinci cochilavam. Brahms dormiu no piano enquanto compunha sua famosa canção de ninar, Napoleão cochilava entre as batalhas e aparentemente Winston Churchill fez o mesmo. E, disse Anthony, "Deus descansou no sétimo dia". "Quando a guerra começou eu tinha que dormir durante o dia porque essa era a única maneira de conseguir cumprir minhas responsabilidades", confessou Churchill após a guerra. Mas durante a última metade do século 20 o ato de dormir caiu nos Estados Unidos. "Talvez isso tenha começado com a linha da assembléia norte-americana que não podia deixar de trabalhar, e com a imagem de Horatio Alger de ser capaz de fazer todo o trabalho duro sozinho, mas tudo isso é um erro", disse James Maas, o autor de "Poder do Sono", que fala dos efeitos da fadiga no local de trabalho.
As raízes da atual tendência podem ser traçadas com a exausta geração dos nascidos após a Segunda Guerra Mundial que na última década têm caído no sono em seus carros, em suas mesas com telefones em suas orelhas e em banheiros durante suas horas de trabalho. Uma mulher, de acordo com Anthony, dormiu no acento de um banheiro feminino usando um rolo de papel higiênico como travesseiro. Os membros dessa geração eventualmente pressionam por mudanças institucionais para legitimar suas necessidades pessoais de dormir. "Esta geração mudou as regras em cada instituição que tocaram", disse Celente. "Assim como eles foram a primeira geração a usar jeans na escola, eles agora usam jeans no trabalho...e agora pensam, Por que não substituir a cafeína por um bom e saudável cochilo?".
Craig Yarde, dono da empresa Metais Yarde, de Bristol, Connecticut, que funciona 24 horas por dia, decidiu que ele se juntaria a eles se não pudesse derrotá-los. Ele criou uma área para descanso de oito câmaras depois de notar que os empregados regularmente cochilavam nas salas de intervalo, de reuniões, cubículos e até mesmo no pátio. "Um cara do setor de vendas tira um cochilo todos os dias às 13h15. Uma pessoa estava sempre roncando no armazém. Outra dorme na sala de espera. Outra em sua mesa. E algumas vão para casa", disse Yarde. A "área magnética", como Yarde a chama, será o foco central de um quartel-general agora sob construção. Cada câmara tem uma cadeira reclinável, luzes suaves, música e uma parede de pedras com água escorrendo, que produz um som agradável. Adjacente às salas para dormir haverá uma sala de café, para quando os funcionários acordarem.
Trabalhadores antigos que podem ter evitado o cochilo no passado, agora se beneficiarão da nova tendência, disse o gerente de produção de 63 anos da Yarde, Mel Meyer, que encosta sua cabeça em suas mãos e cochila diariamente em sua mesa. "Antes eu dizia que não era pago para dormir", disse Meyer. Agora, ele afirma, "Os cochilos são muito importantes para mim. Acho que sentar o dia inteiro na frente do computador é muito cansativo. Então ter 15 ou 20 minutos de relaxamento para descansar os olhos é muito bom". Como ele, a representante de vendas Linda Eisenstein ficará feliz em ter privacidade para seu cochilo diário. "Outro dia coloquei meus pés para cima, virei de costas para o resto do escritório e dormi bem na minha cadeira", disse a vendedora de 43 anos. "Quando finalmente acordei o homem que senta na minha frente disse que eu estava roncando. Será bom ter uma sala para ir".

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