Mais feliz e sem dor com artrite reumatóide
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domingo, 17 de agosto de 2008
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
São Paulo - ''Como ser feliz com dor? Ainda mais, se dói todo dia?''. A frase é do presidente da Sociedade de Reumatologia do Rio de Janeiro, Roger Levy, mas reflete toda a busca médica hoje no tratamento da artrite reumatóide - o alívio da dor, uma melhor qualidade de vida sem perda de funções, e a remissão da doença por períodos cada vez mais longos. Uma das chaves disso tudo, além do uso de novos medicamentos, é o diagnóstico precoce.
A artrite reumatóide é uma doença auto-imune, caracterizada pela inflamação da membrana que reveste as articulações, o que causa deformidade e rigidez articular, dor, dificuldade de fazer movimentos simples (como pentear os cabelos), destruição irreversível das juntas e até invalidez. No mundo, são cerca de 21 milhões de pessoas com a doença, e no Brasil, cerca de 1,5 milhão, a maioria mulheres em idade economicamente ativa, entre 30 e 50 anos.
Mas, se antes, os médicos apenas podiam assistiam à evolução da destruição óssea, hoje, há como intervir mais. ''Hoje há meios de oferecer uma vida com melhor qualidade e uma sobrevida maior'', atesta Levy, lembrando que por complicações relacionadas aos tratamentos e ao modo de vida, a expectativa de vida pode ser reduzida em três a 18 anos. ''Como as doenças inflamatórias crônicas são sistêmicas, além das articulações, as artérias inflamam, com risco de formação de placas e chances aumentadas de enfarto, por exemplo'', alerta.
O primeiro passo é estar atento aos sintomas que começam a aparecer - fadiga inexplicável, dor e inchaço nas articulações, e rigidez após períodos de inatividade, principalmente pela manhã. ''O diagnóstico precoce é importante porque nos primeiros dois anos da doença já há alteração no osso, e em 10 anos, 80% dos pacientes têm perda de capacidade'', alerta.
Métodos mais objetivos para avaliar a resposta ao tratamento e visitas mais frequentes ao médico também trouxeram benefícios aos pacientes, com exames que mostram os índices de progressão radiológica e notas para o estado de saúde.
Em relação aos medicamentos, a evolução foi grande: há mais de 100 anos, a única opção era o repouso absoluto, e há 50, a indicação era aspirina e sais de ouro (''altamente tóxico''). ''Aprendemos a usar o corticóide por menos tempo, por conta dos efeitos colaterais, os antiinflamatórios ficaram mais seguros e também passaram a ser usados em dose e por tempo menores, e hoje temos agentes que modificam a resposta biológica à doença'', explica Lavy, ressaltando que além do uso de medicação, o tratamento também é multidisciplinar, feito com profissionais de fisioterapia, ortopedia e terapia ocupacional.
Como outras doenças auto-imunes, a causa da artrite reumatóide é desconhecida. O que se sabe é que está ligada a fatores hormonais, tendência familiar e até a ''gatilhos'' como quadros de depressão e tabagismo. As articulações de mãos, punhos e pés são geralmente as mais atingidas pela doença, que também costuma ser simétrica, ou seja, envolve a articulação do lado direito e esquerdo.


