Mais enxuta, Francal 99 será a "feira da virada"
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quinta-feira, 01 de julho de 1999
Por Kelly Lima 
Ribeirão Preto, 2 (AE) - Com pelo menos cem fabricantes de calçados a menos, a Francal Calçados deste ano começa na próxima segunda-feira (05) e vai até a quarta (08), com a expectativa de ser a feira da "virada" do setor no país.
"Desde que a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) divulgou o balanço de maio, com o primeiro índice positivo no crescimento das exportações dos setor nos últimos cinco anos, todos os fabricantes voltaram a acreditar numa retomada dos negócios", disse o presidente da feira, João Batista. Segundo ele, apesar desse otimismo, o faturamento da Francal nos três dias de realização da feira este ano deverá repetir o de 98: R$ 15 milhões, ou o equivalente a dois meses de produção.
"Existe um consenso de que a situação está melhorando, mas ainda estamos longe de recuperar índices históricos. É muito difícil para o fabricante reconquistar terreno no mercado externo", avaliou.
Segundo ele, por conta da crise que abalou o setor, a feira este ano teve até mesmo que ser segmentada. Além dos fabricantes de calçados que tradicionalmente eram os únicos expositores, a Francal/99 traz uma segmentação. Também estarão presentes fabricantes de meias, bijuterias e até mesmo fábricas de máquinas para a indústria calçadista e de curtumes.
"A diversificação foi a única maneira que encontramos de manter o número de expositores (500) e o volume faturado, após o fechamento no decorrer do último ano, de algumas empresas antes participantes", explicou. Com isso, a área de exposição no Parque do Anhembi também diminuiu, passando de 30 mil metros quadrados para 25 mil metros quadrados. Segundo o presidente da feira, a expectativa é de um público de 35 mil visitantes durante o evento.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca, Ivânio Batista, disse que além do mercado externo, a indústria calçadista deveria "se preocupar" mais em expandir o seu potencial no mercado interno. "Existe uma demanda reprimida neste mercado e o setor fica sempre olhando para fora, ao invés de explorar este potencial", disse.
Ele lembra que a média de consumo no país hoje é de um par de calçados de couro por pessoa, contra seis pares por ano por pessoa na França, quatro nos Estados Unidos e três na Argentina. "Se o Brasil aumentasse esta média para 1,5 sapatos de couro por pessoa por ano, o próprio mercado interno absorveria a produção nacional de calçados de couro, que hoje é de 280 milhões de pares", exemplificou.
Em sua opinião, a setor está otimista com a mudança cambial e se sentiu estimulado para exportar mais. "Mas o fabricante brasileiro não possui credibilidade no mercado externo. Ele não pode garantir preços mais baixos por tempo indeterminado, porque o Brasil não possui uma política clara nesse sentido", avaliou.
Para Batista, " não é apenas uma desvalorização cambial que vai estimular o setor a recuperar seus clientes lá fora". "Isso demanda tempo e em contrapartida, no mercado interno, situação econômica crítica não estimula um consumo maior de calçados", disse.
Franca é hoje a maior fabricante e exportadora de calçados masculinos e deve participar da Francal com 30 empresas representantes do setor no município. Antes da crise que abalou o setor, em 93, o município chegou a exportar US$ 228 milhões, contra US$ 71 milhões no ano passado. A expectativa para este ano é de exportar R$ 100 milhões. Segundo o sindicato, pelo menos 80% da produção de calçados de Franca é dirigida ao mercado interno.
Em sua retomada de exportações registrada desde o balanço mensal referente a maio, como sendo o primeiro resultado positivo desde o início da crise em 94, o setor de calçados brasileiro voltou suas atenções para retomar a posição de líder nas vendas para o principal público consumidor: os Estados Unidos.
O Brasil representa hoje apenas 5% do total de calçados importados pelos EUA, mas quer dobrar este contingente até o final do próximo ano. As vendas para os Estados Unidos significaram para o país a maior parte do total exportado, 68,8%
ou um volume de US$ 915 milhões no ano passado. Em segundo lugar está o Reino Unido, com 7,8% e despontando como um grande filão nas exportações nos últimos anos, em terceiro está a Argentina, com 5,6%. "A Argentina é um mercado em potencial assim como todos os países do Cone Sul que possuem uma demanda muito pouco explorada", disse o presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca, Ivânio Batista. Somente em 98, a Argentina aumentou em 27% seu volume de importações de calçados do Brasil. Já a Bolívia, que ainda não havia feito negócios com o setor calçadista nacional, importou US$ 30 milhões no ano passado, ficando com a 4ª posiçào no ranking de exportações.


