Mais entidades escolhem profissionais para a presidência16/Mar, 15:20 Por Rita Tavares São Paulo, 16 (AE) - A União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo (Unica) terá um profissional experiente e remunerado ocupando sua presidência a partir de abril, quando assume a nova diretoria. A decisão da entidade segue uma tendência crescente de deixar aos empresários a administração dos próprios negócios, enquanto executivos cuidam dos interesses da associação. Também no mês que vem, a Associação Brasileira de Fabricantes de Embalagens de Pet (Abepet) substituirá o atual empresário-presidente por um profissional que se dedicará integralmente aos problemas enfrentados pela entidade, que cresceram nos últimos anos. Um sindicato do setor de embalagens estuda essa mudança para 2001. "Não nos inspiramos em nenhuma entidade em particular, mas em todas", disse o empresário João Carlos de Figueiredo Ferraz, presidente eleito da Unica, referindo-se à decisão de contratar um executivo. Segundo ele, há um consenso, na entidade de que alguém deve se dedicar "integralmente" aos interesses dos associados. Na Abepet, o comando ficará totalmente com um profissional, Alfredo Sette, que terá o respaldo de um conselho de empresários. A própria Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) está seguindo a trilha da profissionalização desde fevereiro, com a indicação de Claúdio Vaz para o cargo de diretor-executivo. Ele não é um profissional, mas um um dirigente da entidade, que está fazendo a transição para a entrada de um executivo de fato ainda neste ano. Até agora, os técnicos eram subordinados a departamentos específicos, e, agora coordenados por Vaz, cuidam de projetos coletivos que atendam a Fiesp, como um todo. "A competitividade do mercado faz com que cada empresário tenha de estar voltado para a própria sobrevivência" disse Paulo Saab, executivo que preside a Eletros, entidade que reúne 25 empresas de eletro-eletrônicos, há um ano e três meses. Antes dele, a Eletros foi presidida pelo economista Roberto Macedo por quatro anos. A Eletros, assim como a Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma) e a Associação Brasileira de Brinquedos (Abrinq), foram pioneiras em contratar executivos para defender seus interesses. Com a experiência de quem preside a Abrinq desde 1995, o executivo Synésio Batista da Costa passou a comandar também a Abiótica (Associação Brasiliera da Indústria àtica) e foi convidado para presidir a récem-criada Associação Brasileira dos Fabricantes de Embalagens Laminadas (Abraflex), formada para brigar contra empresas beneficiadas por incentivos fiscais. "Sou um executivo pago para operar", resume Costa, sobre seu papel de "lobbista". A profissionalização da gestão permite também uma relação mais profissional, e menos passional, entre os associados e destes, com o mundo externo. "Não sou dono ou diretor de fábrica. Se tiver de tiver um embate, não serei prejudicado", resume Saab, da Eletros, sobre as vantagens da profissionalização, no embate do empresário junto ao Poder Público, na defesa de interesses da corporação.

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