Mais ensino e informação reduzem fecundidade
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quarta-feira, 29 de setembro de 2004
Luciana Nunes Leal<br>Agência Estado 
Rio - Em dois anos a média de filhos por mulher no Brasil (excluído o Norte rural) teve uma queda surpreendente - de 2,33 em 2001 para 2,26 em 2002 e chegou a 2,14 em 2003. E as projeções do IBGE para o País todo indicam que as brasileiras terão menos bebês nas próximas décadas. Para 2030, a taxa de fecundidade projetada é de 1,92 filhos por mulher. Em 2045, de 1,85.
Mantido o ritmo de queda observado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2003 (PNAD 2003), divulgada ontem, essas projeções podem levar a taxas ainda menores. Este dado, combinado com a queda na taxa de mortalidade, que tem caído ano a ano, o resultado é uma população cada vez mais velha.
''A alteração de um ano para o outro dá uma diferença grande, porque afeta a estrutura etária da população'', diz a economista Vandeli Guerra, coordenadora da PNAD. No Brasil a média de filhos por mulher em 1960 era de 6. Foi um dos países que mais rapidamente diminuíram a taxa de fecundidade. No primeiro momento, o motivo foi a migração para as cidades. Depois consequência do aumento da escolaridade e do acesso à informação. ''O que a Europa fez em 200 anos a gente fez em 40'', compara Vandeli.
Em 2003, a taxa de fecundidade estava perto da taxa de reposição - dois filhos por mulher. A taxa de reposição indica que a longo prazo um país manterá o número de habitantes estável, mas serve apenas como referência, pois é preciso levar em conta também a mortalidade.
O demógrafo do IBGE Juarez de Castro Oliveira explicou que é preciso observar se as próximas PNADs manterão esta queda acentuada da taxa de fecundidade. ''A pesquisa tem oscilações. Vamos observar se há uma tendência de queda mais acentuada e, se houver, vamos incluir este ritmo mais acelerado nas projeções'', diz.
O envelhecimento da população implica tem boas e más consequências para os brasileiros. Por um lado, com maior acesso à educação para um universo proporcionalmente menor de crianças, elas serão adultos bem mais instruídos do que seus pais e avós. Por outro, com os idosos em maior número e vivendo mais, será preciso encontrar uma saída para garantir qualidade de vida e renda suficiente para os mais velhos.
Em 2003 nasceram 2.625 mil bebês, 83.600 a menos que no ano anterior. Como os nascimentos caem ano a ano, há cada vez menos crianças e mais idosos. Na população total, havia 8% de pessoas com 60 anos ou mais em 1993. Dez anos depois, eram 9,6%. No caminho contrário, as crianças de 0 a 9 anos eram 21,6% da população e agora são 17,8%.
''No longo prazo, teremos uma pirâmide etária como a da Europa Mediterrânea, com uma população de idosos muito maior. Lá haverá menor pressão no mercado de trabalho, porque haverá menos jovens. Mas, enquanto a gente percorre este caminho, é o momento de equacionar a questão da previdência. Vamos ter muita gente em idade inativa e menos gente em idade ativa'', diz Bessermann.(Leia mais sobre o assunto no Folha Economia)


