Mais duas fazendas são invadidas no Estado
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de agosto de 2003
Lucinéia Parra<br> Equipe da Folha 
Maringá - Duas fazendas no noroeste do Estado foram invadidas ontem de manhã por trabalhadores sem-terra. Em Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí), cerca de 400 sem-terra invadiram pela terceira vez a Fazenda Água da Prata, de propriedade de Wilson Ferreira. Em Paranapoema (120 quilômetros de Maringá), mais de 1.000 pessoas invadiram a Fazenda Santa Terezinha, de propriedade de Alexandre Mazari. As invasões, de acordo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ocorreram porque as famílias têm necessidade de plantar e não podiam mais esperar pela vistoria do Incra.
As invasões das duas fazendas ocorreram por volta das 7 horas e até o final da tarde de ontem não havia sido registrado nenhum incidente nas duas áreas. A Fazenda Água da Prata já foi palco de violência, em novembro de 2000, quando o sem-terra Sebastião da Maia, então com 38 anos, foi morto durante tentativa de reocupação da fazenda. A propriedade, com 460 alqueires, foi ocupada pela primeira vez em junho de 1997 e desocupada em maio de 1999. Em novembro do mesmo ano houve nova tentativa de ocupação, e em agosto de 2001, a fazenda foi ocupada mais uma vez por integrantes do MST.
A segunda desocupação da área foi feita em maio do ano passado. De acordo com a Polícia Militar, a maioria dos invasores é de um acampamento que existe dentro da Fazenda São Pedro, também em Querência do Norte. A Água da Prata estava arrendada para Fábio Antonio Basso de Luca. Conforme a polícia, ele estava inconformado com a ocupação e temia perder a produção de milho que está plantada em 180 alqueires da propriedade.
A Fazenda Santa Terezinha, em Paranaponema (região próxima do Pontal do Paranapanema), tem 600 alqueires e foi invadida por sem-terra que estavam em diversos acampamentos do MST na região. De acordo com a polícia, os sem-terra chegaram na propriedade em diversos carros, oito ônibus e dois caminhões.
De acordo com o coordenador do MST no PR, Edson Bagnara, as invasões ocorreram porque as famílias têm necessidade e pressa de plantar. Segundo ele, o MST apóia as invasões como uma forma de chamar a sociedade para debater a reforma agrária. Ele disse que a decisão de invadir as propriedades partiu da liderança dos acampamentos instalados na região.
A União Democrática Ruralista (UDR) Noroeste do Paraná informou que os proprietários já preparavam processos para reintegração de posse. Segundo Marcos Prochet, 44 anos, presidente da entidade na região, as fazendas são produtivas e estão com plantios de inverno e milho safrinha. (Com Agência folha)


