Londrina – Mais duas crianças precisam receber um novo coração no Paraná. De acordo com um levantamento da Central Regional de Transplantes Norte (CRTN), as pacientes fazem parte de uma fila de espera de 48 pessoas que necessitam de um transplante cardíaco no estado. Deste total, 35 estão aptas ao procedimento e 13 seguem na condição de receptores semiativos, que estão cadastrados mas ainda apresentam impedimentos temporários para passar pela cirurgia. No início da semana, o Hospital Infantil da Santa Casa de Londrina fez o primeiro transplante cardíaco infantil do interior do estado.
A receptora do novo coração é uma menina de 6 anos que estava internada havia 115 dias. A criança, que mora na região de Londrina, é portadora de uma miocardite, inflamação que acomete o coração. "É um quadro que às vezes tem reversão, mas no caso dela não estávamos tendo melhora", relatou ontem, em entrevista coletiva, um dos médicos da equipe responsável pelo transplante infantil, o cirurgião cardíaco Luiz Takeshi.
Ele explicou que diante desta situação a criança foi colocada em uma lista de espera de urgência. Durante o tempo de internamento no Hospital Infantil, antes do transplante, houve apenas uma doação em potencial, mas que não se concretizou.
O coração doado pertencia a uma adolescente de 16 anos, falecida em Santa Catarina. O tempo entre a retirada do órgão, o transporte aéreo até Londrina e o transplante na criança receptora não ultrapassou 4 horas, o tempo máximo preconizado para a prática. Somente no Hospital Infantil de Londrina, a equipe que cuidou do caso reuniu 11 pessoas, entre profissionais de enfermagem, anestesistas e cirurgiões cardíacos.
A direção da instituição calcula que 120 pessoas foram mobilizadas, desde o hospital onde a doadora faleceu até a cirurgia, para que o órgão pudesse ser transplantado a tempo. O procedimento cirúrgico levou duas horas e quarenta minutos e custou mais de R$ 130 mil. Deste valor, 60% são pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

QUADRO

A criança receptora, segundo Takeshi, passa bem, mas permanece internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). A paciente deverá receber medicamentos imunodepressores, para evitar a rejeição do órgão. Uma biopsia também deve ser feita na semana que vem para avaliar o quadro. Ainda não há previsão de alta. Desde 2013, apenas seis crianças passaram no estado por transplantes cardíacos.
O superintendente da Santa Casa de Londrina, Fahad Haddad, assinalou que outros 53 transplantes de coração já foram feitos em adultos pela instituição, referência no interior do estado para o procedimento. O primeiro deles ocorreu em 1994. A Santa Casa também faz transplantes de rim desde 1985.

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