Por Clarissa Thomé, especial para a AE
Rio, 21 (AE) - Exaustos e doentes, depois de nadar cerca de cinco mil quilômetros, pinguins da Patagônia, na Argentina, têm chegado às praias cariocas para morrer. Desde o início de junho, o zoológico do Rio recolheu 25 aves - 18 ainda estão vivas, mantidas em quarentena numa espécie de enfermaria. Hoje, outros dois pinguins foram encontrados na praia da Barra da Tijuca, na zona oeste. "Eles são muito jovens e inexperientes e é possível que tenham pego as correntes das Malvinas, que vêm para o Brasil e são muito frias", disse o biólogo Valdir Ramos Júnior, responsável pelo pinguinário do zoológico. "Poucos terão chances de sobreviver".
No percurso entre Argentina e Brasil, as aves enfrentam águas poluídas, alimentam-se de peixes contaminados e contraem doenças. Quando chegam à praia estão tão debilitados - alguns pesam menos de dois quilos - que sequer podem ser alimentados. "Muitos morrem porque não têm mais forças para digerir o peixe que as pessoas oferecem", afirmou Ramos. Os pinguins também não devem ser colocados em baldes com água ou gelo. "As pessoas associam pinguim à geladeira, mas essas aves não são animais de ambiente gelado", diz Ramos.
Para diminuir o desconforto delas com o calor, basta deixá-las à sombra ou numa sala com ar-condicionado, informa o biólogo. No zoológico, os pinguins ficam separados em caixas plásticas, são alimentados por soro e recebem vitaminas e antibióticos. Apesar de todos os cuidados, 30% das aves tratadas este ano morreram. Zôo - O pinguinário do zoológico tem capacidade para receber 12 aves, mas apenas duas estão em exposição. Elas chegaram à costa carioca seis anos atrás e ainda precisam ser batizadas. Todos os pinguins encontrados no Estado - já apareceram animais em Saquarema e Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, e Campos, norte fluminense - são da espécie Pinguins de Magalhães. Mesmo que sejam recuperados pelo zoológico do Rio, eles não podem ser devolvidos às suas colônias - há o risco de transmitirem as doenças adquiridas e dizimar toda a espécie.
Ramos não tem explicação para o excesso de pinguins que tem chegado ao Rio. Segundo o biólogo, são encontradas cerca de 15 aves por ano. "Ano passado esse número chegou a 30 por causa do fenômeno El Niño, mas não há razão para isso se repetir agora", afirma.

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