Dili, 02 (AE-AP) - Outros dois timorenses, funcionários da Missão das Nações Unidas em Timor Leste (Unamet), foram assassinados hoje (02) pelos milicianos pró-Indonésia, apesar dos pedidos de membros da organização para que as forças de segurança indonésias aumentassem sua proteção. Segundo Fred Eckhard, porta-voz da ONU, os funcionários foram assassinados na localidade de Maliana, cenário de vários atos de violência por parte dos milicianos.
Os assassinatos ocorreram um dia depois de choques entre partidários e opositores da independência que provocaram a morte de três pessoas diante da sede da Unamet em Dili, capital de Timor Leste. A sede da missão foi sitiada pelos paramilitares e só depois de várias horas as forças de segurança indonésias entraram em ação. Na segunda-feira, outro funcionário local da ONU foi morto a punhaladas logo após o fechamento dos colégios eleitorais na localidade de Atsabe, sul de Gleno, onde na terça-feira um comboio da organização, com cerca de 150 pessoas, foi cercado pelos milicianos por várias horas.
Pressionado pela comunidade internacional e pela escalada da violência em Timor Leste, que deve piorar ainda mais após ser divulgado o resultado do plebiscito de segunda-feira, o governo indonésio, pela primeira vez, mostrou-se disposto a aceitar o envio de uma força de pacificação ao território.
O secretário de Estado indonésio, Muladi, disse hoje que "se piorar a situação, valia a pena" estudar a idéia do envio de uma força de pacificação. As Forças Armadas indicaram que esse envio seria necessário se o resultado do plebiscito, tal como se espera, for favorável à independência. Mais de 98% dos 450 mil eleitores timorenses compareceram às urnas e espera-se que o resultado seja anunciado até o dia 7.
Essas declarações de Muladi significam uma mudança drástica na posição de Jacarta que, até agora, insistia em manter sozinha a ordem na antiga colônia portuguesa, invadida pela Indonésia em 1975.
Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália, Portugal e outros países vêm pressionando Jacarta a conter as ações dos milicianos que estariam sendo apoiados pela própria Indonésia.
Os grupos pró-Jacarta prosseguiram hoje pelo terceiro dia com ações intimidatórias e demonstrações de força. Vários deles patrulhavam as ruas desertas de Dili, bloqueadas em alguns cruzamentos por cordões policiais que controlavam os escassos veículos que ainda circulavam.
O clima de terror é tão grande que timorenses, observadores e jornalistas estrangeiros abandonaram o território rumo a Jacarta. Um avião militar partiu de Dili hoje com familiares de militares indonésios e vários jornalistas timorenses e estrangeiros.
Os milicianos que tomaram de forma arbitrária o controle de várias partes da capital atacaram um hotel onde se hospedavam vários jornalistas estrangeiros, que foram agredidos, e as forças de segurança indonésias não intervieram. Eles também tentaram impedir que um australiano de origem timorense embarcasse em um avião comercial que seguia para Jacarta. O vôo só partiu depois da mediação de diplomatas. O governo indonésio calcula que mais de 200 mil timorenses, quase um quarto da população do território, deixarão Timor se o plebiscito resultar favorável à independência.
O governo australiano, que criticou a incapacidade da Indonésia de conter a violência, informou que iniciou os preparativos para o envio de uma eventual força de paz sob o comando da ONU a Timor, da qual está disposto a participar.

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