Mais dois fiscais são presos; MP requer sequestro de bens de todos acusados
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 09 (AE) - A polícia prendeu dois fiscais da Prefeitura de São Paulo e um terceiro está foragido após ter tido a sua prisão temporária decretada. Outros 16 acusados de envolvimento no escândalo de corrupção das administrações regionais tiveram o sequestro de seus bens pedidos pelo Ministério Público, que também requisitou a quebra do sigilo bancário do grupo e a permanência na prisão de todos até serem julgados.
Entre os presos está um fiscal da Administração Regional de São Miguel Paulista, que é controlada pelo presidente da Câmara Municipal, Armando Mellão (PPB). As investigações da 7.ª Delegacia Seccional levaram à decretação da prisão de dois fiscais dessa regional com base nas acusações feitas por camelôs que trabalham na Avenida Marechal Tito. José Gonçalves da Paixão foi detido em sua casa. "Não quero dar entrevista", disse. Paixão é armazenador, mas estava desviado de sua função.
O outro acusado no caso, Vanderley Aparecido Gonçalves Ortega, continuava foragido até o início da noite de hoje. Ele seria o chefe de Paixão. "Estamos investigando os fiscais de São Miguel Paulista há sete dias", afirmou o delegado seccional Naief Saad Neto. De acordo com ele, oito camelôs já foram ouvidos no inquérito do caso.
Um deles, Maurício Efegênio Camilo, o Chapéu de Couro, seria o encarregado pelos fiscais de recolher o dinheiro com os ambulantes. Camilo disse aos policiais que os fiscais passavam todos os sábados para recolher o dinheiro da propina. Uma investigadora chegou a ficar em uma barraca de cachorro quente para tentar prendê- los em flagrante, mas não conseguiu.
A mesma delegacia pediu a decretação da prisão temporária do empresário Gilberto Alves Machado. Dono da empresa Labitare, ele estaria envolvido em um esquema de venda de terrenos em loteamentos irregulares na área da Administração Regional Jaçanã-Tremembé. Machado chegou a delegacia às 17 horas para depor. Estava com seu advogado. Na memória de um computador apreendido na Labitare, que vende lotes na região, havia a indicação de depósitos quinzenais de R$ 10 mil que, segundo a polícia, seriam usados para o pagamento de propinas. Além disso, havia a indicação na contabilidade de um cheque de R$ 30 mil pagos para "Carlão da PMSP". O juiz-corregedor Maurício Lemos Porto Alves ainda não respondeu ao pedido de decretação da prisão do empresário. Sequestro - Outro juiz-corregedor, Marco Antônio Martins Braga, está analisando o pedido feito pelo promotor Gabriel Cesar Zacarias de Inellas, que requisitou hoje à tarde a decretação da prisão preventiva de 16 acusados de envolvimento no pagamento de propinas para fiscais da Administração Regional da Sé - 14 deles são fiscais. Inellas manifestou-se com base no inquérito relatado ontem pelo delegado Romeu Tuma Júnior, da 2.ª Delegacia Seccional. Todos os acusados já estão presos.
O promotor pediu ainda que sejam quebrados os sigilos bancários dos acusados e sequestrados seus bens móveis e imóveis. Para tanto, Inellas requisitou que sejam notificados os cartórios de registros de imóveis de São Paulo a fim de que eles informem quais os bens registrados em nome dos acusados. Também foi pedido ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran) a mesma informação em relação aos veículos. Perus - Ontem, o agente vistor Expedito Quintino Fonseca Filho, de 43 anos, foi preso em flagrante pela PM sob a acusação de exigir R$ 1 mil para não multar o motorista de ônibus Elias Teixeira da Silva, de 49, que estava ampliando a casa na Rua Professora Maria Aparecido Nigro Gava, em Perus, na zona oeste. O motorista não tinha autorização para a obra. Segundo o delegado José Roberto dos Santos, titular do 46.º Distrito Policial, há um mês, o fiscal passou na frente da casa da vítima e a intimou a comparecer à Administração Regional de Perus.
O fiscal teria dito que a multa mais o embargo da obra sairiam por R$ 4 mil, mas poderia acertar tudo por R$ 1 mil, em duas prestações. A primeira seria paga hoje. Quando chegou para apanhar o dinheiro, ele foi preso. O acusado disse que é vítima de uma armação do motorista, que o atraiu até sua casa e que pôs o dinheiro em seu bolso.


