São Paulo - Mais dois corpos foram localizados e retirados da cratera deixada pelo desabamento nas obras da estação Pinheiros do metrô, em São Paulo. No total, desde a última sexta, dia do acidente, cinco corpos foram localizados.
Segundo o governador José Serra, um dos corpos encontrados é do motorista do microônibus soterrado, Reinaldo Aparecido Leite, 40. O outro corpo, de um homem, ainda não foi identificado.
Para o Corpo de Bombeiros, uma vítima do acidente permanece desaparecida. No entanto, familiares do office-boy Cícero Augustino da Silva, 58, dizem acreditar que ele também tenha sido engolido pela cratera.
A chuva atrasou as buscas, pois os trabalhos foram temporariamente suspensos. O capitão do Corpo de Bombeiros Mauro Lopes disse que o poste que prendia o microônibus havia sido retirado e que o veículo seria serrado para a retirada das vítimas.
Entre a madrugada de segunda-feira e a manhã de ontem, três corpos foram resgatados dos escombros - um deles estava na parte traseira do microônibus.
O primeiro corpo encontrado foi o da aposentada Abigail de Azevedo, 75, retirado dos escombros na segunda-feira. Na terça, foi resgatado o corpo de Valéria Alves Marmit, 37, que estava na traseira do lotação. Apesar da localização do veículo, os trabalhos não puderam prosseguir devido aos riscos de novos desabamentos e à grande quantidade de lama e entulho no local.
No começo da manhã de quarta, os bombeiros retiraram o corpo do motorista de caminhão Francisco Sabino Torres. Ele trabalhava nas obras da linha 4-Amarela. No microônibus, além do motorista estava o cobrador Wescley Adriano da Silva, 22. Seriam passageiros o funcionário público Marcio Rodrigues Alambert, 31, e o office-boy Cícero Augustino da Silva, 58.
As famílias dos passageiros do microônibus da Transcooper serão indenizados em R$ 100 mil. A empresa diz que as indenizações são referentes a danos morais e materiais. Já as famílias do motorista e do cobrador receberão R$ 29 mil cada uma.
O governador José Serra confirmou que o Metrô suspendeu os pagamentos ao Consórcio Via Amarela pelas obras. O motivo seria uma inviabilidade técnica para medir o trecho que desabou. O canteiro de obras que desabou era usado como acesso de funcionários e equipamentos à obra. Do fosso partem dois túneis. O que desmoronou havia sido inaugurado há cerca de um ano, segundo informações do governo do Estado. O acidente ampliou o buraco, que passou a ter cerca de 80 metros de diâmetro.
O coordenador da Defesa Civil de São Paulo, Jair Pacca de Lima, afirmou que as consequências do acidente poderiam ser reduzidas, caso um plano de contingência tivesse sido elaborado. O plano deveria prever o isolamento das áreas afetadas pelas obras do metrô. O IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológica) foi acionado pelo governo estadual para fazer um laudo sobre as causas do acidente.

Desalojadas - As cerca de 120 pessoas que foram desalojadas pelo desabamento no canteiro de obras do metrô de São Paulo ainda devem esperar cerca de uma semana para voltar para casa.
De acordo com a Defesa Civil, os imóveis residenciais que estão interditados só serão liberados após o desmonte da grua que está pendurada à margem da cratera aberta pelo acidente. A Odebrecht, líder do Consórcio Via Amarela, responsável pela obra, afirma que o procedimento dura cerca de uma semana.
Durante o período, as famílias permanecerão nos hotéis reservados em nome do Metrô na região do acidente, para onde foram levadas no dia do acidente. A grua que ameaça cair tem 32 metros de altura e pesa 120 toneladas.

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