Brasília- O Ministro da Saúde, Humberto Costa, demitiu ontem mais dez funcionários ligados à máfia do sangue. A relação dos nomes de oito dos demitidos será publicada na edição de hoje do Diário Oficial da União (DOU). Com essas demissões, sobe para 25 o número de servidores demitidos pelo Ministério da Saúde, desde que a Polícia Federal desencadeou a Operação Vampiro, na quarta-feira da semana passada, quando prendeu 14 pessoas envolvidas em fraudes na licitação de hemoderivados. Estes remédios, fabricados a partir da proteína do sangue, são usados no tratamento de doenças como hemofilia, aids e câncer.
O ministro divulgou nota para explicar que as demissões são mudanças preventivas, destinadas a evitar que servidores envolvidos com a fraude continuem exercendo qualquer tipo de influência. ''A exoneração dessas pessoas não significa o envolvimento delas com irregularidades, mas representa medida preventiva'', disse Costa.
No caso das 15 primeiras exonerações, ocorridas na semana passada, a nota salienta que nove delas aconteceram porque as pessoas foram presas ou tiveram mandado de busca e apreensão executado pela Polícia Federal. As seis restantes, embora não se tenha notícia de envolvimento delas em irregularidades, foram afastadas também por medida preventiva, já que ocupavam funções de coordenação ou de chefia.
Dos três empresários envolvidos na fraude, que estavam foragidos, dois apresentaram-se no domingo à Polícia Federal. Lourenço Rommel Pontes Peixoto, acusado de ser um dos chefes da máfia do sangue, e o lobista Jaisler Jabour de Alvarenga. O empresário Marcos Jorge Chain ainda continua foragido.
Ontem, dois ministros admitiram que o Estado brasileiro está vulnerável a ações ilícitas. O ministro da Educação, Tarso Genro, afirmou, no lançamento de um programa destinado a estimular os valores democráticos na rede pública de ensino, que ''o Estado brasileiro ficou à mercê da corrupção''.
Ao lado dele, no auditório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o secretário nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, concordou. ''No Brasil, a corrupção está enraizada nos hábitos da sociedade. É preciso mudar essa cultura a partir do exemplo do governo.''

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