Imagem ilustrativa da imagem Mais de um ano depois, Justiça ouve acusados de atentado contra agente da PEL 2
| Foto: Reprodução/Arquivo Familiar



As páginas do(s) calendário(s) de familiares, amigos e até advogados dos sete acusados da morte do agente penitenciário Thiago Borges de Carvalho, 33 anos, a cinco dias do Natal de 2016, viraram várias vezes até pararem neste 28 de março de 2018. Quase um ano e meio do atentado que tirou a vida do servidor na avenida Guilherme de Almeida, uma das principais da zona sul de Londrina, a juíza da 1ª Vara Criminal, Elisabeth Kather, reservou esta data para ouvir testemunhas e alguns dos réus. Os depoimentos estão previstos para começar a partir de 13h, no Fórum antigo.

A Secretaria de Segurança Pública acredita que Alexandre Ferreira, Edimo André Brunning, Hernandes Cabral Santos, Higor Salles, João Carlos Fernandes Silva, Uiverson Constantino e Welber da Silva Conceição são os responsáveis pelo atentado, que por pouco também não levou outros dois agentes para o Instituto Médico Legal. Antes do que a polícia considera como emboscada, Thiago e os companheiros de trabalho tinham deixado a PEL 2 (Penitenciária Estadual de Londrina), no trecho que vai para o distrito da Maravilha, em um Logan branco - e sem proteção nos vidros - quando foram parados por vários disparos, principalmente de fuzil.

Um dos tiros atingiu de forma certeira a cabeça de Thiago. As balas resvalaram de raspão outros dois funcionários que estavam no mesmo carro. Atordoados com a enxurrada de projéteis, o grupo voou para o Hospital da Zona Sul, situado a poucos metros da região do atentado. A corrida contra o tempo não foi suficiente para salvar a vida de Thiago. Minutos após ele ser socorrido pela emergência de plantão, enfermeiros comunicavam a morte do rapaz aos policiais militares, guardas municipais e profissionais do Depen (Departamento Penitenciário do Paraná) que aglomeravam-se no saguão da unidade de saúde.

A Justiça convocou 11 agentes penitenciários para depor nesta quarta. Os sete homens supostamente envolvidos foram presos mais de seis meses após o crime. Em uma pomposa solenidade, o então secretário de Segurança, Wagner Mesquita, anunciou a detenção da quadrilha, que hoje está distribuída em presídios pelo Brasil. Edimo, Hernandes e Uiverson estão na Penitenciária Federal de Porto Velho (RO), enquanto Welber permanece na Estadual de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba). Ele também deve acompanhar as oitivas pessoalmente. Higor está detido em Londrina. João Carlos está na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS). Alexandre é o único foragido.

Pela longa distância e dificuldade em trazer quatro dos réus do Norte e Centro-Oeste, a Justiça determinou que colherá os interrogatórios por videoconferência.

Planejamento e execução

Ao oferecer a denúncia, o promotor Ricardo Domingues descreveu a atuação de cada acusado no atentado que vitimou Thiago. Segundo o Ministério Público, Welber é quem repassava as ordens aos demais integrantes. As orientações eram dadas primeiramente a Alexandre, que comunicava os responsáveis pelo "trabalho sujo". Conforme a ação, Higor era a única exceção: ele teria seguido os passos dos agentes logo na saída da PEL 2 e incendiado um Citroen segundos depois da emboscada. O carro foi encontrado completamente desfigurado nos fundos do jardim Cristal, também na zona sul. Os advogados de defesa refutam as ponderações de Domingues.

Fundador do SOE

Thiago Borges de Carvalho foi um dos precursores do SOE (Seção de Operações Especiais) em Londrina, onde o grupo foi criado em julho de 2016. A "elite" do departamento penitenciário foi concebida na gestão de Fernando Francischini, hoje deputado federal, na Sesp. A ideia era reforçar a segurança nas cadeias do Paraná e conter eventuais rebeliões. Thiago conhecia a realidade carcerária do Estado desde 2008, mas demonstrou interesse em participar do setor especial assim que a notícia começou a se espalhar pelas dependências do Depen, orgão que até hoje está vinculado.

Prestes a ser pai

Ouvida pela FOLHA, a esposa de Thiago, que preferiu manter o nome em sigilo, contou que o rapaz quase concretizou um de seus maiores sonhos: o de aumentar a família. Pouco tempo do surgimento de tristeza bem aguda, a mulher ficou sabendo da gravidez. O bebê nasceu sem sustos e "com muita saúde", como afirmou a jovem à reportagem. O corpo de Thiago Carvalho foi enterrado no dia 21 de dezembro de 2016 no Cemitério Natural de Dracena, no interior de São Paulo. A cidade de 46 mil habitantes (dados 2017 do IBGE) onde o ex-agente nasceu parou para acompanhar a cerimônia de sepultamento.

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