Mais de quarenta mortos em confrontos no Timor Leste
Jacarta, 06 (AE-REUTERS) - As tropas indonésias mataram pelo menos 40 civis quando atacaram uma igreja no Timor Leste hoje (06), disparando armas e jogando granadas, disseram grupos pró- independência.
A agência de notícias portuguesa Lusa informou que soldados indonésios invadiram a igreja em Liquisa, a 30 quilômetros da capital do distrito, Dili, onde mais de 2 mil homens, mulheres e crianças escondiam-se depois dos ataques de ontem (05) dos legalistas pró-Jacarta
Grupos pró-independência em Jacarta e Dili confirmaram à Reuters as últimas mortes, dizendo que o ataque ocorreu na tarde de terça-feira.
Militares não puderam ser contactados, mas um diplomata ocidental baseado em Jacarta afirmou que oficiais das Forças Armadas da Indonésia (ABRI) negaram a ocorrência de ataques ou mortes.
Um auxiliar do bispo do Timor Leste, Carlos Belo, laureado com o prêmio Nobel da Paz, informou que o bispo viajaria para Liquisa amanhã (07) para investigar os relatos do massacre.
Segundo o auxiliar, os relatos acusam as tropas locais e não os grupos paramilitares, de atirar nos timorenses.
A Lusa informou que o bispo Belo e o chefe militar do Timor Leste, Tono Suratman, haviam confirmado o incidente.
Um oficial do Conselho National da Resistência Timorense (CNRT) informou à Reuters que um sobrevivente do ataque em Dili dissera-lhe que "dezenas" de pessoas haviam morrido na igreja.
O sobrevivente afirmou que o ataque foi precedido pela invasão da casa do padre de Liquisa, na qual cinco civis morreram.
Grupos pró-independência alegam que milicianos pró-Jacarta apoiados pelas tropas indonésias mataram 17 pessoas quando abriram fogo contra civis ontem em Liquisa. O ministro das Relações Exteriores da Indonésia, Ali Alatas, negou hoje essa acusação e disse que Jacarta era vítima de desinformação.
O primeiro-ministro português, Antonio Guterres, considerou que o derramamento de sangue no Timor Leste sublinha a necessidade da presença das Nações Unidas no território para ajudar a criar condições para que os timorenses decidam entre a autonomia ou a independência através de um plebiscito monitorado pela ONU.
As tensões aumentaram no território desde janeiro, quando Jacarta disse que se os timorenses recusassem a proposta de autonomia extra, obteriam a independência.
Ontem (05), o líder separatista Xanana Gusmão conclamou o povo do Timor Leste a pegar em armas contra a Indonésia em retaliação à escalada da violência por parte dos legalistas pró- Jacarta apoiados pelo exército indonésio.
A Indonésia advertiu que isso poderia arruinar os planos do país em permitir que o território empobrecido vote para ter autonomia pela primeira vez em mais de 300 anos.





