Goiânia- Um contingente de 2.100 famílias, vinculadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, ocupou na madrugada de ontem a Fazenda Flozeira, de 9 mil hectares, no município de Campestre, em Goiás. Foi a maior invasão já ocorrida na história daquele Estado e uma das maiores registradas este ano no País. A Polícia Militar enviou cinco equipes para a região, com o objetivo de impedir a entrada de novos invasores. Os policiais bloquearam a estrada que dá acesso à sede da propriedade.
As famílias saíram durante a noite do acampamento Palmares, que fica no mesmo município, e marcharam até a sede da fazenda, percorrendo um trajeto de 10 quilômetros. Chegaram por volta das 5 horas da madrugada e já anunciaram que só deixarão o local após o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) cumprir a meta de assentar 3.600 famílias no Estado, conforme o Plano Nacional de Reforma Agrária para este ano. Eles também querem a desapropriação da Fazenda Campestre, onde poderiam ser assentadas pelo menos 300 famílias, segundo os líderes do MST.
A vistoria da propriedade, porém, não está nos planos das autoridades. Segundo o superintendente regional substituto do Incra, Antonio Pereira de Almeida, existe um cronograma de vistorias, estabelecido no início do ano - e ele não inclui a fazenda ocupada ontem. ''Houve um atraso no cumprimento das vistorias, em decorrência da greve dos funcionários do Incra, mas o nosso objetivo é manter a programação inicial'', disse.
Provisões - O proprietário da fazenda entrou na Justiça ontem à tarde com um pedido de reintegração de posse. Para os invasores, trata-se de uma área improdutiva, que deve ser destinada para a reforma agrária. Eles chegaram ao local com provisões para permanecer lá por bastante tempo.
O MST de Goiás critica a lentidão do Incra na execução da reforma no Estado, a exemplo do que está ocorrendo em outras áreas do País. Do total de 3.600 famílias previstas para este ano, só teriam sido assentadas 19 - numa área cujo processo de desapropriação havia sido iniciado no ano passado.
Segundo o Incra, o processo de desapropriações está avançando e já existe um estoque suficiente de terras para cumprir a meta. A maior parte das áreas a que ele se refere, porém, ainda depende de decisões judiciais para a desapropriação.

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