Curitiba, 24 (AE) - Cento e três presos fugiram hoje, por volta das 5 horas, do 11º Distrito Policial de Curitiba, instalado na Cidade Industrial. Apenas quatro fugitivos foram recapturados, apesar de grande parte dos policiais civis e militares da região estar mobilizada na ação. O delegado-chefe do distrito, Moisés Américo de Souza Neto, e três policiais civis que estavam de plantão foram afastados pelo diretor da Polícia Civil, João Ricardo Kepes de Noronha.
De acordo com as informações de Noronha, a cadeia estava com 126 presos no momento da fuga, embora a capacidade seja para 40 detentos. Ele conseguiu apurar que os presos utilizaram serras, que chegaram ao local escondidas na alimentação levada pelos familiares, para cortar as barras de ferro das celas. Os presos percorreram o corredor e fugiram pela porta dos fundos. Quando os plantonistas perceberam a movimentação, conseguiram apenas impedir que a cadeia ficasse completamente fazia. Um dos presos foi recapturado imediatamente, pois quebrou a perna ao pular o muro.
"Muito embora não se apresente nenhum indício de participação de alguém nesta fuga, eu não posso admitir que fujam mais de cem presos do distrito durante a madrugada e essa manobra não seja observada pelo plantão", afirmou Noronha, ao determinar o afastamento do delegado e dos plantonistas. Esta foi a terceira fuga no mesmo distrito, nos dois últimos meses. Por isso, o diretor da Polícia Civil tinha pedido mais atenção do policiamento. "Mesmo assim, apesar dos apelos que fizemos, ocorreu esse incidente".
Noronha entrou em contato com o secretário de Estado da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, e pretendia falar, ainda hoje, com o Comando da Polícia Militar para cobrar o reforço de policiamento que havia sido combinado. "A guarda da Polícia Militar havia sido ajustada para permanecer junto com a Polícia Civil nesses distritos onde há superpopulação de presos, e não estava no local", reclamou. "Vamos pedir ao Comando da PM que apure a razão de os policiais não estarem lá".
O diretor da Polícia Civil disse que a falta de policiais para a missão de cuidar de presos nos distritos é uma realidade. "Nós temos de reavaliar essa situação", afirmou. No entanto, há expectativa de que até meados do próximo ano esteja terminada a construção do novo presídio, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, param transferência de todos os presos condenados que ainda permanecem nos distritos.

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