Recife, 19 (AE) - Mais de 500 trabalhadores sem-terra foram despejados, hoje pela manhã, por ordem judicial, de quatro áreas em Pernambuco, informou movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). As desocupações foram em Caruaru, Vitória de Santo Antão, Tamandaré e Vicência.
De acordo com a assessora de imprensa do MST-PE, Janeide de Souza, 100 trabalhadores foram retirados da Fazenda Serraria, de 1.200 hectares, em Caruaru, no agreste, a 130 quilômetros do Recife."A Polícia Militar assistiu o proprietário da fazenda e seus capangas derrubarem e destruírem os barracos e pertences das famílias", disse, ao avaliar os despejos simultâneos como uma demonstração contra os sem-terra.
O segundo despejo foi no Engenho Bento Velho, onde estavam 300 trabalhadores . A área, de 1.100 hectares, é no município metropolitano de Vitória de Santo Antão. O MST diz que o proprietário do engenho ameaçou destruir as lavouras de milho e feijão que os sem-terra plantaram durante a ocupação.
No Engenho Barreirinho, de 500 hectares, da Usina Santo André, em Tamandaré, na zona da mata Sul, 50 trabalhadores tiveram de deixar a área pela quarta vez. Depois do despejo eles acamparam provisoriamente em uma área que afirmam ser do Governo do Estado, a dois quilômetros do Barreirinho.
O último despejo foi no Engenho Revira, de 800 hectares, em Vicência, na zona da mata Norte, que havia sido reocupado por 75 sem-terra.
INCRA - Os 50 trabalhadores ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape) permanecem no pátio interno do Incra. Eles invadiram a sede do órgão na segunda-feira, dispostos a só sair do local quando o processo de desapropriação do Engenho Passagem, em Aliança, na zona da mata, fosse encaminhado a Brasília.
Hoje o Incra concluiu a parte burocrática do processo, enviando-o para a análise técnica da Divisão Fundiária. São necessários pelo menos 20 dias para serem cumpridas todas as etapas antes de o processo seguir para Brasília. O Incra avisou os trabalhadores de que se eles continuarem no local os trabalhos serão suspensos e tenta negociar a saída dos trabalhadores antes de recorrer à Justiça.

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