São Paulo, 27 (AE) - Caso não haja redução do Imposto Sobre Serviços (ISS) cobrado das empresas em São Paulo, mais de 50 companhias de software deixarão a capital rumo ao interior do Estado no próximo ano. A afirmação é do presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software, Daniel Boacnim, que considera impraticável a cobrança de 5% sobre o total da arrecadação das empresas de serviços enquanto algumas cidades, como Poá, cobram 0,25%, e São Caetano, 0,5% de ISS de seus contribuintes.
"Podemos constatar ano a ano um significativo êxodo das empresas de software que, atraídas por tributações menores oferecidas por cidades limítrofes de São Paulo, deixam a Capital", considera Daniel.
Conforme levantamento da Abes, que possui mais de 600 associadas e representa 80% do total desse segmento de mercado no País em 99, 42 empresas de software deixaram a capital paulista, contra 38 no ano anterior. Para este ano, o êxodo deverá ser ainda maior. Na previsão da associação a perda será de no mínimo 50 companhias, que deixarão a capital rumo ao "paraísos fiscais".
As cidades do interior hoje representam em média 10% do total das empresas de software instaladas no País. Há dois anos este número era de 5%. Daniel afirma que há mais de três anos vêm alertando o prefeito Celso Pitta com relação à perda que este volume pode representar no total das arrecadações da prefeitura. O próprio prefeito estimou em R$ 500 milhões o tamanho do prejuízo anual da cidade de São Paulo com esta fuga de receita.
"Temos como base estudos realizados em grandes pólos industriais no mundo. Regiões que eram estritamente industriais se tornaram cidades de serviços e esta é uma tendência mundial. Assim aconteceu em Chicago, Detroit e Nova York. Este terá que ser o caminho natural de São Paulo, senão a cidade estará falida", conclui Daniel Boacnim. A Abes já vem se preparando para uma efetivação da fuga dessas empresas da capital e montou, há três anos, um Centro de Desenvolvimento de Softwares em Barueri, onde o ISS cobrado é de 0,5% e tem sido uma das cidades mais procuradas entre as companhias que deixaram a cidade paulistana.
Nesta sexta, o prefeito Celso Pitta deverá apresentar uma nova proposta para a cobrança do ISS na capital com uma Base de Cálculos mais enxuta. Segundo o Secretário de Negócios Jurídicos da Capital, Edvaldo Brito, relator do texto, a nova Base de Cálculos de ISS colocará São Paulo em vantagem na atual Guerra Fiscal estabelecida dentro do estado com relação ao imposto.

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