Mais de 50% dos presos têm problemas de pele no 2º DP
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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Danilo Marconi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - Os presos do 2º Distrito Policial (DP) estão enfrentando outro problema além da superlotação. Muitos estão com doenças dermatológicas. ''Mais de 50% têm problema de pele devido ao excesso de umidade, falta de ventilação e das condições precárias dentro da carceragem'', afirmou o delegado Cássio Wzorek.
O 2º DP abriga 341 homens, onde deveriam ficar 122. Uma das celas de triagem abriga 27. Não há janela e o termômetro apontava 37ºC no local. Dois pequenos ventiladores foram improvisados nas paredes.
Kleber Henrique Piorneda Pequeno está preso há seis meses por roubo e já contraiu alergias no braço e perna. ''Coça, queima e a dor é grande.'' Na cela ao lado um homem mostra a ferida no braço provocada por um tiro e outro preso, a perna com uma infecção contraída antes de ser detido. ''Ele chegou já infeccionado. Aqui só tende a agravar'', acrescentou Wzoreck.
Um enfermeiro atua diariamente no 2º DP e o médico comparece uma vez por semana. Porém, poucos presos buscam atendimento. Vágner, que preferiu não revelar o sobrenome, está há oito meses na cela da triagem e tem diversas feridas nos pés. ''Aparecem essas bolhas e começa a coçar. Existe enfermaria aqui, mas nunca procurei. Isso aqui é pouca coisa perto dos outros'', confessou.
Maria Irene de Araújo foi levar medicamentos para o filho, preso mês passado. ''Ele já tinha micose antes de entrar e aqui a tendência é piorar. Sou mãe e quero que ele saia daqui bem'', disse.
A situação é ainda mais precária nas celas modulares. ''Só no chão ficam dez deitados. Todos estão com coceira e de vez em quando a gente recebe visita de formigas, baratas e ratos'', reclamou Valdinei Dias de Souza. Não é de duvidar: no corredor de acesso ficam jogadas marmitas com restos de comida e bitucas de cigarro. ''É sub-humano. Hoje chegou no limite, tornou-se insuportável'', avaliou o delegado.
A Vara de Execuções Penais determinou no ano passado a interdição do 2º DP. O Estado ficou impedido de receber novos presos na unidade e limitou a capacidade em 220 homens. O que está longe da realidade.
''A falta de médico na unidade foi solucionada. Problemas de pele são crônicos e têm que ter tratamento contínuo, mas se o preso não quer ser atendido, isso é outro problema'', ressaltou a juíza da VEP, Márcia Guimarães Marques da Costa.
A VEP aguarda as construções de outras unidades prisionais em Londrina, como o semi-aberto e o feminino, prometidas pela Secretaria Estadual de Justiça. ''Nossa opção foi aumentar o número de vagas nas unidades prisionais. Vamos administrando isso diariamente'', ressaltou.
A Penitenciária Estadual de Londrina (PEL I) está hoje com mais de 50 presos acima da capacidade. A Casa de Custódia com 42 e a PEL II com 40. ''A proposta maior é levar tratamento penal adequado, consistente em ensino e profissionalização a esses homens. Há promessa do Estado e essa política está em implantação'', afirmou.
A Pastoral Carcerária encaminhou denúncia sobre os problemas do 2º DP ao Ministério Público. A Associação dos Advogados Criminais vai debater o assunto na próxima reunião do dia 6.


