Mais de 50 depoimentos e o fim das 'festinhas'
Curitiba - Durante toda a fase de processo mais de 50 depoimentos foram colhidos. O juiz denunciado pelo MP alegou ser inocente e disse não conhecer as vítimas elencadas pelo Ministério Público. Admitiu que frequentava a chácara com a namorada e que ficavam apenas no churrasco. Por isso, não tinha idéia do que ocorria após o churrasco. Afirmou que a citação do nome dele na denúncia teve motivações políticos. Todos os demais absolvidos- dois comerciantes, um investigador de polícia e um eletricista - alegaram inocência.
O funcionário público Jaires Caldart, que fez parte do Movimento Piedade Campo Largo (um dos autores da denúncia), contou à FOLHA que nunca mais soube dos trâmites processuais por conta do sigilo judicial. Mas vê consequências positivas pela ação do Ministério Público.
''Em Campo Largo, acabaram-se as festinhas. Não existem mais. As meninas que sofreram abuso estão todas encaminhadas, nenhuma foi para a prostituição. Algumas até se casaram. Mais uma prova de que o fato do caso ter tido repercussão fez com que as autoridades mudassem de conceito e passassem a encarar a exploração de adolescentes como crime'', relatou Caldart.
Hoje, na avaliação do servidor público, o Judiciário local é mais eficiente e a polícia atua com mais rigor na fiscalização de bares e chácaras suspeitas.
''Não vou dizer se acho que os culpados foram punidos ou se houve impunidade. Eu confio no julgamento da imprensa, na exposição pública. Para mim, essa foi a maior punição para todos eles'', salientou Caldart.(L.P.)





