Mais de 370 'crianças felizes'
O envolvimento com a música e trabalhos voluntários traçou um novo caminho na vida de Gelson Batista Alcântara, que em 2012 abriu mão da propriedade de uma empresa para se dedicar exclusivamente ao projeto. Iniciado em 2009, o trabalho era realizado em uma escola no Jardim Monte Cristo (zona leste). Com a venda de sua residência, Alcântara comprou um imóvel no bairro, onde na frente funciona o bazar e o projeto.
Em uma sala pequena, cerca de 70 crianças são atendidas hoje, em diferentes horários, com aulas de violino, viola, violoncelo, clarinete, flauta e coral. Todas participam do projeto através da Orquestra Monte Cristo, Coral Encantar e até uma oficina de jornalismo. "Todo mês elas se apresentam um escolas, espaços culturais e igrejas."
Com tantos anos de dedicação, mais de 370 crianças e adolescentes já passaram pelo Criança Feliz. "O objetivo é transformar. É dar oportunidade para eles através da música, porque é uma profissão", salienta Alcântara.
Oportunidade que os irmãos Vinícius e Viviane Rebequi de Souza abraçaram com paixão. Aos 17 anos, Vinícius toca violoncelo, instrumento que deu lugar às tardes em que jogava videogame. "Vim pela curiosidade. Não sabia tocar nada. Hoje, isso é tudo para mim", declara ele, que pretende prestar vestibular para música. "Meu sonho é seguir essa profissão. Trabalhar com música é menos estressante. Ela consegue conduzir sentimentos em todas as pessoas, sem nenhuma exceção", justifica.
E Viviane sabe bem disso. Ela conta que, ao tocar, encontra um momento único. "É algo que estou fazendo para mim. Se não fosse esse projeto, acho que nunca teria tocado em um violino", conta.
Instruídos pelo professor André Luiz de Mattos, os alunos sonham em fazer da música uma profissão. Apesar da idade, Ana Júlia Venâncio Roberto, de 10 anos, conta que, além das aulas, ensaia em casa. "Meu sonho é ser violinista profissional, daquelas que tocam um uma orquestra bem grande, sabe?", revela.(M.O.)





