Londrina - Mais de 350 milhões de pessoas sofrem de depressão no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A organização alertou ontem, véspera do Dia Mundial da Saúde Mental, para a necessidade de combater o estigma em torno da doença e incentivar que os governos implementem tratamentos para combater o transtorno. Pelos dados da OMS, pelo menos 5% das pessoas que vivem em comunidade sofrem de depressão.
''Temos alguns tratamentos muito eficazes para combater a depressão. Infelizmente só metade das pessoas com depressão recebe os cuidados de que necessitam. De fato, em muitos países, o número é inferior a 10%'', disse o diretor do Departamento de Saúde Mental e Abuso de Substâncias, Shekhar Saxena. ''É por isso que a OMS está trabalhando com os países na luta contra a estigmatização como ato essencial para aumentar o acesso ao tratamento.''
A OMS define depressão como um transtorno mental comum, caracterizado por tristeza, perda de interesse, ausência de prazer, oscilações entre sentimentos de culpa e baixa autoestima, além de distúrbios do sono ou do apetite. Também há a sensação de cansaço e falta de concentração.
Distinguir tristeza de depressão é um passo muito importante, conforme o psiquiatra Paulo Fernando Nicolau, de Londrina. Segundo ele, a tristeza é uma reação comum à frustração, perdas da vida e sofrimentos do dia a dia. Já a depressão é uma doença que se caracteriza por humor alterado de forma bastante profunda.
Os transtornos depressivos podem ser crônicos ou pontuais. De acordo com o psicólogo e psicoterapeuta Leonardo Araujo, de Curitiba, há casos graves que se tornam crônicos, mas é a maioria é episódica. Segundo ele, nos casos pontuais, geralmente, os primeiros resultados começam a surgir a partir do segundo mês de tratamento; em seis meses há uma melhora significativa e em um ano os resultados são bem mais acentuados.
''Em muitos casos o ideal é utilizar a terapia medicamentosa. Nem só remédio, nem só terapia. As duas coisas precisam caminhar juntas porque na depressão há um distúrbio neuroquímico, mas também questões emocionais'', pontuou Araujo.
Sem citar números, o psiquiatra Nicolau relata que nos últimos anos tem aumentado o número de pessoas depressivas e credita esse crescimento à correria do mundo moderno. ''É um ritmo muito acelerado que exige cada vez mais das pessoas; elas não têm tempo de se organizar, mas são submetidas às cobranças constantes e isso causa um desgaste maior'', explicou. ''Nossa energia é renovável, mas não inesgotável'', reiterou.(Com Agência Brasil)

mockup