Mais de 3,5 mil aguardam transplante
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terça-feira, 09 de dezembro de 2003
Candice Dequech<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Desde 1991, o Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba já realizou 281 transplantes. Somente neste ano, foram 22 transplantes realizados com sucesso. A média, segundo o cirurgião Júlio Coelho, chefe do Serviço de Transplante Hepático do HC, é de 40 transplantes por ano feitos no hospital, vinculado à Universidade Federal do Paraná (UFPR). No Paraná, até 31 de outubro, ocorreram 953 transplantes de órgãos. No ano passado, foram feitos 1.170 transplantes no Estado.
Apesar dos números, a fila de espera ainda é grande. Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde, de 31 de outubro deste ano, 3.691 pessoas aguardam na fila. Destas, 2.111 aguardam um rim, 1.069 pacientes precisam receber transplante de córneas, 435 de fígado, 76 de coração e os demais de outros órgãos, como pâncreas e medula óssea. De acordo com Coelho, o índice de sobrevida para transplantados de fígado é de aproximadamente 80%, e o de rejeição é de cerca de 50%. No entanto, se medicados corretamente, os transplantados passam bem e não correm risco de vida.
''Eu tive a minha vida salva pelo doutor Júlio Coelho'', disse a dona de casa Ivonir Alves de Lins, 52 anos. A dona de casa descobriu que precisava de um transplante de fígado, quando começou a sentir dores fortes no estômago e perder muito peso. Ivonir havia desenvolvido uma cirrose hepática por consumir muito álcool. Ela conta que ficou nove meses na espera, mas que a qualidade de vida que tem hoje compensou o período que ficou na fila. ''A recuperação foi excelente, assim como o trabalho de toda a equipe do hospital. No quinto dia eu já havia recebido alta'', conta.
Segundo Ivonir, a recuperação foi boa e rápida, embora, depois da cirurgia, o quadro de diabetes e hipertensão tenha se acentuado. ''Eu tomo, até hoje, e deverei continuar tomando por muito tempo, medicamentos para pressão alta, diabetes e contra a rejeição.''
A dona de casa conta que toma 560 comprimidos por mês, 300 contra rejeição e os demais para a diabetes e hipertensão. De acordo com Ivonir, os transplantados também devem tomar remédios para osteoporose, pois o transplante enfraquece os ossos.
Ivonir tem sangue O positivo e, por ser o tipo sanguíneo mais comum, não precisou receber um transplante intervivos (de um familiar), como foi o caso de Aldo Antônio Guimarães, 55, que, por ter sangue B positivo, teve que receber 60% do fígado de seu filho Claudinei, 28. Ele esperou, durante um ano, pelo transplante, que ocorreu em outubro de 2001.
Guimarães conta que procurou ajuda médica, pois queixava-se de inchaço nas pernas e abdômem. O estágio da cirrose hepática, que ele havia contraído devido ao não tratamento de uma hepatite B, já estava muito evoluído. ''Eu descobri que era portador de hepatite B em 1979, quando fui doar sangue. Não tratei e, 20 anos depois, acabei manifestando cirrose hepática e precisei de um transplante'', conta.
Ontem pela manhã, pacientes que fizeram transplante de fígado e de pâncreas no HC se reuniram no Círculo Militar para comemorar a vitória de uma nova vida. Cerca de 250 pessoas, entre pacientes, familiares e equipe médica do HC participaram do encontro. O serviço, no HC, é referência no Brasil e foi o primeiro a realizar um transplante intervivos no Paraná. Foi também pioneiro no transplante duplo intervivos de fígado e rim e a segunda instituição do Brasil a realizar este tipo de transplante.


