Londrina – A paralisação nacional dos médicos afetou o atendimento ontem em Londrina no Hospital da Clínicas (HC), na Santa Casa e no Hospital Universitário (HU).
No HC, 191 consultas foram adiadas, além de algumas cirurgias, e apenas três clínicas funcionaram: Obstetrícia Geral, Neurologia Geral e Oncologia em Ginecologia e Obstetrícia. "As demais clínicas não funcionaram por falta de funcionários. Todas as consultas já foram remarcadas", garantiu o gerente administrativo José Santo Moreira.
Na Santa Casa, que é responsável pelo atendimento também do Hospital Infantil e do ambulatório do Sistema de Atendimento a Saúde (SAS) do governo estadual, das 500 consultas agendadas, 130 foram canceladas. Somente no SAS, 85 foram reagendadas de um total de 320. A assessoria de imprensa informou que muitos médicos já haviam comunicado com antecedência que não trabalhariam e isso possibilitou a transferência das consultas de forma antecipada.
No HU, as cirurgias eletivas foram remarcadas. Os demais setores do hospital, como Pronto-Socorro (PS) e Enfermaria, funcionaram normalmente. O Hospital Evangélico informou que não houve transtornos no atendimento e nem falta de médicos.
A Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) registrou a falta de um médico e a remarcação de duas cirurgias eletivas no Hospital da Zona Norte. No Zona Sul, não houve cancelamentos.
A gerente da Unidade do Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Sabará (zona oeste), Claudineia Oliveira, relatou que não houve falta de profissionais e o atendimento foi normal ao longo do dia. "Percebemos um aumento no número de pacientes no início da tarde, talvez em virtude da falta de médicos em outras unidades", frisou.
De acordo Secretaria Municipal de Saúde, não houve falta de médicos nas escalas do Pronto Atendimento Atendimento (PAM) e do Pronto Atendimento Infantil (PAI) e o atendimento transcorreu dentro da normalidade.
No início da tarde de ontem, dezenas de médicos se concentraram no Calçadão, Centro de Londrina. Os profissionais distribuíram panfletos explicativos e esclareceram os motivos do protesto.
Segundo o presidente da Associação Médica de Londrina (AML), Antônio Caetano de Paula, a piora na qualidade da assistência médica do país não pode ser atribuída aos médicos. "Onde há falta de leitos, de medicamentos, filas para cirurgias e problemas de infraestrutura a culpa não pode ser atribuída ao profissional. Chegou ao limite", afirmou.
Caetano criticou ainda a intenção do governo federal em trazer médicos estrangeiros e tirar a exclusividade médica em produzir diagnósticos. "Nas provas de revalidação, 80% dos nossos médicos são aprovados. Não tem cabimento trazer profissionais estrangeiros sem avaliá-los. Já temos conhecimento de diagnósticos médicos de outros profissionais, que não são habilitados para isso", alertou. Os médicos de Londrina prometem uma nova mobilização hoje às 16 horas no Anfiteatro do Zerão.

mockup