Mais de 3 mil toneladas de poluentes são despejadas por dia no litoral brasileiro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de outubro de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 26 (AE) - O litoral brasileiro está pagando um preço muito caro pelo desenvolvimento do País: mais de 3 mil toneladas de poluentes líquidos são despejados por dia na costa do Brasil. O material é altamente nocivo ao meio ambiente, pois se constitui de esgotos domésticos e efluentes industriais, aí incluidos 130 toneladas diárias de uma carga poluidora de excessiva toxidade.
As informações estão no "Inventário das Fontes Poluidoras da Zona Costeira", estudo do Programa Nacional de Gerenciamento Costeiro (Gerco) do Ministério do Meio Ambiente, divulgado hoje, em Porto Seguro (BA), no Seminário sobre a Diversidade Costeira Marinha do Brasil, que reunirá até sexta-feira (29), cerca de 150 pesquisadores, ambientalistas e representantes de organizações governamentais e não-governamentais (ONGs) ecológicas. O evento tem como objetivo sistematizar os estudos e informações dos especialistas sobre as 200 milhas da costa brasileira para orientar programas de combate à poluição junto com ações que estimulem a exploração sustentável dos recursos naturais do litoral.
O levantamento sobre as fontes poluidoras da zona costeira revela que o mar dos Estados de São Paulo, Rio, Bahía e Espírito Santo são os que recebem a maior carga industrial do País, basicamente por causa dos pólos petroquímicos concentrados nessas regiões. De acordo com o consultor do Gerco, Severino Agra Filho, a questão mais grave está no fato de a poluição líquida das cidades atingir em cheio estuários, lagoas costeiras
e mangues.
"Particularmente, a carga industrial incide sobretudo nas baías", lamentou. Para tentar superar o problema, os pesquisadores propõem a implantação de novas unidades de conservação costeiras, protegidas pela legislação ambiental e o desenvolvimento de políticas educacionais ecológicas nas comunidades das regiões afetadas. Recursos para esses programas existem. Somente o Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF), criado após a ECO-92, dispõe de US$ 3 bilhões para financiar projetos de pesquisas sobre biodiversidade e iniciativas voltadas para exploração sustentavel dos recursos naturais nos países em desenvolvimento. Segundo o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Braúlio Dias, o Brasil já usa uma parcela desses recursos em programas de pesquisas sobre a Mata Atlântica, cerrado, Floresta Amazônica, campos sulinos e zona costeira e marinha. O ministério quer ampliar esses programas com um estudo sobre a caatinga.


