São Paulo, 09 (AE) - Mais de 200 empresas, entre as quais a Goodyear, Klabin, Votorantim Papel e Celulose e Refinações Milho Brasil, devem optar pelo uso do gás natural, em lugar do óleo combustível, que o País passou a dispor em maior quantidade a partir de hoje com a inauguração do gasoduto Brasil-Bolívia. São, ao todo, 233 indústrias de todos os setores produtivos interessadas no gás, de acordo com levantamento da Comgás, que não considera o potencial de consumo das futuras termoelétricas e o consumo residencial.
Se os estudos de mercado da Comgás se confirmarem, independentemente de o preço do gás natural estar atrelado ao dólar, os 8 milhões de metros cúbicos por dia que chegam a partir de hoje serão insuficientes para atender uma demanda de 14,5 milhões de metros cúbicos, até o ano 2000, nas regiões metropolitana de São Paulo, Baixada Santista, Campinas, Vale do Paraíba e Sorocaba. Na primeira fase, por exemplo, São Paulo vai receber metade desse volume (4 milhões de metros cúbicos). Nos últimos 30 dias, metade desses 4 milhões já foi negociada com a Empresa Metropolitana de Aguas e Energia (500 mil metros cúbicos), Pirelli (500 mil metros cúbicos) e Rolls Royce (1 milhão de metros cúbicos).
O levantamento, obtido com exclusividade pela AGÒNCIA ESTADO, mostra que as 233 indústrias identificadas como potenciais consumidoras de gás natural nos 13 sistemas ou regiões consumiriam no mínimo 5 milhões de metros cúbicos por dia, embora para isso seja ainda necessária a construção de uma rede de distribuição de 850 quilômetros. Estima-se que a conversão dos equipamentos dessas empresas que utilizam o óleo combustível custaria pelo menos US$ 50 milhões. Já a rede distribuição precisa pelo menos US$ 270 milhões em investimentos.
"A partir de agora, começa a fase de engenharia de utilização do gás e de reestruturação do mercado", explica o diretor-executivo da Agência de Desenvolvimento Tietê-Paraná (ADTP), Carlos Silvestrin. Embora o preço seja uma das maiores dúvidas em função da variação cambial, a questão é momentânea, já que o gás natural é competitivo por suas próprias características, argumenta Silvestrin. De acordo com ele, a desvalorização do real não só trouxe dúvidas sobre o preço do gás como também sobre qualquer matéria-prima lastreada em dólar. "A importância do gás para o desenvolvimento do País é mais relevante do que qualquer contrato", afirma Silvestrin.
No sistema Limeira-Americana, por exemplo, a Goodyear, Ajinomoto e a Ripasa estão entre os potenciais consumidores. Já na de Limeira-Piracicaba, a Companhia União Açúcar e Café, além da Klabin, Votorantim Papel e Celulose e a Dedini são outras que devem trocar o óleo pelo gás natural. As regiões de Campinas e a metropolitana de São Paulo, entretanto, são os de maior potencial de consumo e com maior concentração de indústrias dispostas a consumir o gás natural. Praticamente todas as multinacionais que usam hoje o óleo combustível devem optar pelo gás natural, segundo levantamento da Comgás.
Com a compra de gás boliviano, a participação do gás natural na matriz energética do País deve sextuplicar em 2010, passando de meros 1,9% para pelo menos 12%, parcela ainda irrisória se comparada à de outros países - Argentina, 49%; Inglaterra, 30%; Itália, 29% e EUA, 27% -, onde esse combustível energético é tão importante quanto a energia elétrica.

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