Miami, 14 (AE-ANSA) - O furacão Floyd, um dos mais fortes já surgidos no Atlântico, açoitou nesta terça-feira (14) as Bahamas e provocou uma fuga de mais de 2 milhões de pessoas de partes da Flórida e da Geórgia, onde deve chegar amanhã à noite.
Embora a tormenta se tenha desviado um pouco para o noroeste - o que deve evitar um impacto direto com a costa densamente povoada da Flórida - e seus ventos tenham diminuído um pouco de velocidade, ainda se temia uma catástrofe.
"Ainda temos uma situação potencialmente bastante grave para o centro e norte do Estado", advertiu um meteorologista do Centro Nacional de Furacões (CNF).
Ao todo, 1,7 milhão de pessoas na costa atlântica da Flórida - sob estado de emergência desde segunda-feira - receberam ordens de abandonar as cidades praianas e os parques de trâileres desde Miami até Cabo Canaveral. Outras 500 mil tiveram de deixar partes da costa georgiana, informou o diretor de operações de emergência no Estado, Gary McConnell - que descreveu o Floyd como sendo tão grande quanto o Texas, o maior Estado norte-americano.
Estima-se que o olho do furacão chegue a apenas 80 quilômetros da costa norte da Flórida esta manhã, antes de atingir a terra à noite, em algum lugar mais ao norte - talvez na Geórgia ou nas Carolinas.
"Este furacão é três vezes maior que o Andrew (que matou mais de 40 pessoas e causou danos de US$ 25 bilhões em 1992), então as consequências podem ser catastróficas quando ele chegar à terra", afirmou James Lee Witt, diretor da Agência Federal de Administração de Emergências. "Esperamos que as pessoas saiam do caminho antes que ele chegue - com uma tormenta desta intensidade e magnitude, a melhor coisa a fazer é sair da frente", acrescentou.
A velocidade sustentada dos ventos mais rápidos do "monstro" (definição usada pelo governador da Flórida, Jeb Bush, e pelo diretor do CNF, Jerry Jerrell) diminuiu - caindo de 250 km/h na segunda-feira para 225 km/h ontem -, mas ele continuava dentro da categoria 4 na escala Saffir Simpson (que vai de 1 a 5, esta última a partir de 251 km/h).
Meteorologistas já haviam dito que eram esperadas variações de velocidade. Às 14 horas de hoje na Flórida, o Floyd estava 314 quilômetros a leste-sudeste de Palm Beach e movia-se para oeste-noroeste à média de 23 km/h.
Até o fim da tarde, os ventos que atingiam as Bahamas - principalmente as Ilhas de Eleuthera, San Salvador e Cat, mas também New Providence, que abriga a capital, Nassau, e tem 165 mil habitantes - haviam chegado a 217 km/h (em Eleuthera), destelhando casas, derrubando árvores de 10 metros, cortando linhas elétricas e telefônicas, causando ondas de até 6 metros e provocando inundações de 1 metro de altura.
No início da noite, a maior ameaça pairava sobre a Ilha Grand Bahama, de 42 mil habitantes. "Acreditamos que o olho passará diretamente sobre Grand Bahama", afirmou Todd Kimberlein, do CNF.
Na capital das Bahamas, a maioria dos residentes e turistas estava em segurança dentro de abrigos e hotéis, mas algumas pessoas sofreram ferimentos leves ao ser atingidas por destroços levados pelo vento e foram tratadas no Princess Margaret Public Hospital. "Estou vivo pela misericórdia de Deus", disse um morador da capital à rádio Love 97 FM.

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