Mais de 2 bilhões estão infectados por parasitas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Regina Maria Gonçalves Dias(*) 
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmam que mais de 2 bilhões de pessoas hoje estão infectadas com algum tipo de verme ou parasita. Estima-se que 60% dessas infecções têm associação a deficiências nutricionais, principalmente carência de ferro e vitaminas. Além disso, 2/3 da mortalidade mundial têm relação com doenças de veiculação hídrica, como as parasitoses.
No entanto ainda encontramos um alto índice de falso-negativos nos exames de parasitológico de fezes. Esta afirmativa advém de nossa experiência na realização um exame de fezes mais acurado e com positividade em torno de 95% em uma população-alvo que pertence às classes sócio-econômicas A e B. Concluímos que os dados da OMS estão subestimados em decorrência de uma técnica obsoleta ou realizada sem o devido cuidado.
Estas informações são preocupantes, pois se este quadro se apresenta para aqueles que tem água e esgoto sanitário, como será de fato a realidade das classes menos favorecidas?
Não podemos esquecer que no Brasil ainda se planta, principalmente hortaliças, com estrume (fezes animais e em alguns lugares até humanas) e irrigam as plantações com água de rios ou nascentes contaminadas, indo à nossa mesa hortaliças extremamente contaminadas. Nem cloro, vinagre, limão, nada além do cozimento pode exterminar estes ovos e cistos de parasitas.
Em uma população que não tem o que se alimentar o resultado da parasitose é devastador, e em classes mais favorecidas, encontraremos doenças cronificadas, dispepsias crônicas, obesidade, alergias respiratórias, etc. Nas crianças ocorre comprometimento do crescimento físico e/ou mental, podendo levar à diminuição da imunidade, anemia, subnutrição, desnutrição e até a morte.
Verminose não é um problema que afeta crianças de baixa renda, mas acomete todo nosso Brasil. Para mudarmos este quadro há que conscientizarmos e mudarmos nossas condutas de higiene, desta forma como formadores de opinião, exigirmos medidas sanitárias mais sérias tanto no saneamento básico, mas também treinamento e controle sanitário de restaurantes, bares, lanchonetes, agricultura, escolas, produtores de água mineral, filtros de água, fornecedor oficial de água em nosso estado e tudo que se relacione à veiculação de água e alimentos.
(*)Regina Maria Gonçalves Dias, é médica ortomolecular e da família em Foz do Iguaçu.


