A FOLHA obteve pela Lei de Acesso à Informação com a Secretaria Estadual de Segurança Pública um levantamento que mostra o número de pessoas presas nas seis principais cidades do Paraná (Curitiba, Londrina, Foz do Iguaçu, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel). O balanço abrange os últimos cinco anos e se refere apenas aqueles que foram detidos ou conduzidas às delegacias de Polícia Civil. Os que ingressaram no sistema penitenciário não foram considerados. O critério usado para incluir os casos nas estatísticas é estar classificado dentro das seguintes situações: prisões, cumprimentos de mandados, flagrantes, apreensões de menor e adolescentes.

Imagem ilustrativa da imagem Mais de 15 mil pessoas foram presas em Londrina nos últimos cinco anos
| Foto: Arquivo FOLHA

Em Londrina, 15.483 pessoas foram presas nos últimos cinco anos. 2015 foi o período com mais detenções (3.320). Apesar de uma queda de 17% em relação ao ano seguinte - foram 2.757 prisões em 2016 -, o retrospecto tem oscilado desde então: 3.158 em 2017, 3.060 em 2018 e 3.188 em 2019. O resultado fez com que o município ficasse em segundo lugar na lista dos pesquisados.

Curitiba aparece na primeira posição, com 47.211 pessoas presas, seguida de Cascavel (18.092), Londrina (15.483), Maringá (11.060), Ponta Grossa (10.604) e Foz do Iguaçu (10.092). Na soma, são 112.542 prisões efetuadas somente nestas cidades no total. 2018 foi o que mais rendeu conduções às delegacias: 23.368 pessoas. O "pior" ano foi 2016, com 21.718 prisões.

Para o major Nelson Villa, comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, a proximidade com a população ajuda a explicar o aumento das detenções, mas há outros motivos. "Quando a comunidade passa informações verídicas sobre algum suspeito, os policiais têm mais elementos para prendê-lo. Considero também a intensificação das operações ostensivas, o que implica no aumento de abordagens. A integração com outros órgãos de segurança, como a Polícia Civil e a Guarda Municipal, é outro fator. Essa união faz com que a informação sobre um assalto, um furto ou qualquer tipo de crime seja repassada com mais rapidez", afirmou.

Segundo o advogado criminalista Rafael Soares, mais prisões não necessariamente significam que justiça esteja sendo feita. "O movimento atual, bem presente inclusive no Congresso Nacional, é tratar a prisão preventiva, aquela que vale por tempo indeterminado, como algo excepcional. É difícil associar associar o aumento de detenções com a elevação da sensação de segurança. Para isso existem inúmeros pontos que precisam ser avaliados. Ao meu ver, os processos criminais estão andando mais rápido. Com isso, a resposta do Estado é mais ágil", observou.

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