Mais de 140 detentos são transferidos após rebelião
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terça-feira, 13 de outubro de 2015
Rafael Fantin<br>Reportagem local 
A Vara de Execuções Penais (VEP) autorizou 142 transferências de presos da unidade 2 da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2) até ontem para outros três estabelecimentos prisionais após a rebelião e fugas registradas na semana passada. De acordo com o juiz Katsujo Nakadomari, as transferências foram realizadas em razão da destruição de parte da estrutura da penitenciária e também para afastar os presos identificados como possíveis líderes do motim.
Detentos fugiram no dia seguinte ao fim do tumulto, que durou cerca de 24 horas, o que provocou o isolamento da penitenciária e a busca policial na região. Sem informações sobre as condições dos presos internos, mulheres e familiares ainda realizaram protestos e bloquearam a rodovia PR-445 na última sexta-feira. Nakadomari informou que a contagem dos presos foi concluída ontem e que as visitas só serão liberadas após reparos na estrutura e retorno dos detentos às celas. Até ontem, 93 apenados foram transferidos para a unidade 1 da PEL, 30 foram para a Casa de Custódia de Londrina (CCL) e 19 vão continuar cumprindo pena na Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP), na Região Metropolitana de Curitiba. "Identificados como líderes não podem permanecer em Londrina, pois já causaram transtornos. Então a estratégia é a transferência para outra região o mais rápido possível", justificou o juiz.
De acordo com ele, 25 presos são considerados foragidos, mas o número pode ser menor, já que detentos podem não responder a chamada realizada pelas autoridades durante a identificação dos encarcerados. Questionado sobre os boatos de mortes no interior da PEL 2, Nakadomari respondeu que nenhum corpo foi encontrado. A única morte foi do detento identificado como Éder Henrique Lopes da Silva, que foi lançado do telhado da penitenciária durante a rebelião. Após atendimento dos socorristas, ele faleceu no Hospital Universitário (HU). A Polícia Civil já instaurou inquérito para investigar o homicídio. "Às vezes, detentos ou pessoas que não estão presas incitam os familiares contra o sistema carcerário com informações falsas, vídeos e fotos enviados por celulares", afirmou o juiz.
Ele confirmou que o primeiro bloco da PEL 2 foi totalmente destruído e que os blocos dois e três devem passar por reparos hidráulicos e elétricos em até 15 dias para voltar a abrigar os detentos, que continuam distribuídos em três pátios sob vigilância permanente de PMs. "São 96 celas com capacidade para seis presos, o que totaliza 576 vagas. Nós podemos abrigar até sete presos neste espaço dependendo do andamento. Assim, a capacidade sobre para 672 vagas. Agora a prioridade é reforma das celas rapidamente", adiantou.
Nakadomari ainda descartou que o excesso de presos e a má qualidade da alimentação possam ter motivado a rebelião da semana passada. "Não existe superlotação quando se tem 1.150 presos em uma penitenciária para 1.098. Além disso, eu vou a cada 30 dias na PEL 2 e abro as marmitas. Algumas pessoas que estão fora da cadeia não têm condição de comprar aquela comida. A refeição é servida no isopor para não estragar antes de chegar ao preso", detalhou.
O juiz também lembrou que a enfermaria, equipamentos odontológicos e o arquivo com dados sobre as atividades para remissão das penas foram destruídos pelo vandalismo e incêndios provocados durante o motim. Segundo ele, 60% dos presos participavam das atividades de estudo, trabalho ou cursos. "O maior prejudicado foi o próprio preso. O sistema da PEL 2 não era ideal, mas chegava perto do que a gente pretendia. A razão da rebelião ainda é uma incógnita. Quando uma voz de comando manda virar uma cadeia é por causa de opressão, superlotação, má alimentação e outros problemas, que não é o caso da penitenciária", avaliou.


