Mais de 100 corpos estariam enterrados em rancho perto do Texas
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terça-feira, 30 de novembro de 1999
Por Michelle Koidin 
CIUDAD JUAREZ, México, 30 (AE-AP) - Mais de 100 pessoas, entre elas 22 americanos, teriam sido mortos por um cartel das drogas mexicano e enterradas em dois ranchos nas proximidades desta cidade fronteiriça, informaram hoje (30) autoridades mexicanas.
Cerca de 200 agentes dos EUA e do México retornaram hoje para retomar a busca por pessoas que, segundo o procurador-geral Jorge Madrazo, poderiam ter sido mortas pelo Cartel de Juarez, a dominante organização de tráfico de drogas mexicana em meados da década de 90.
Não havia indicação que qualquer corpo havia sido exumado e autoridades não estavam certas de quantos corpos poderiam ser encontrados.
"A lista é de mais de 100 pessoas que hipoteticamente poderiam estar enterradas nesses pontos", disse Madrazo à rede Televisa. Acredita-se que 22 deles, afirmou ele, eram cidadãos dos EUA.
O presidente americano, Bill Clinton, disse não ter recebido confirmação de que 22 americanos estavam entre as vítimas e classificou os assassinatos de "um horrível exemplo" dos excessos dos carteis de drogas mexicanos.
"Acho que isso reforça a importância de nossa tentativa de não apenas proteger nossas fronteiras mas também de trabalhar com as autoridades mexicanas para tentar combatê-los", afirmou Clinton em Washington. "Tivemos muitos sucessos poucos anos atrás em derrubar cartéis de drogas colombianos, e uma das consequências adversas foi que muitos operações foram transferidas para o Norte, para o México.
"Existem organizações criminosas lá e elas são particularmente cruéis".
Autoridades foram levadas aos dois ranchos por um informante que aproximou-se primeiro do FBI no começo do ano, disse um oficial federal em Washington. O informante afirmou que poderia haver até 100 corpos lá, incluindo os de algumas pessoas que estavam oferecendo informações a agentes antidrogas americanos, segundo o oficial, que pediu para não ser identificado.
Ele disse que os investigadores checaram a confiabialidade do informante, fazendo ele inclusive passar por um detector de mentira, antes de iniciar a procura dos corpos.
Na noite de segunda-feira, dezenas de soldados armados, alguns usando máscaras pretas de esqui, cercaram um dos dois ranchos numa área desolada 16 km ao sul de Ciudad Juarez, uma cidade fronteiriça em frente a El Paso, Texas.
O rancho é cercado por um muro de concreto, tendo em cima dele arame farpado. No outro lado da rua existe um ferro-velho.
Rodrigo Falcon, 18 anos, disse que ele e sua família estavam tomando conta de um dos ranchos na ausência do proprietário, a quem ele identificou como sendo Jorge Ortiz, de El Paso. Segundo ele, Ortiz não aparece no local há tempos.
Por anos, Ciudad Juarez foi o quartel-general do Cartel de Juarez, uma gangue de traficantes chefiada por Amado Carrillo Fuentes.
Carrillo foi o traficante número 1 de cocaína do México antes de morrer em 1997 durante uma cirurgia plástica. Logo após sua morte, dezenas de pessoas foram mortas na cidade no que a polícia acredita ter sido, em parte, fruto de uma guerra pelo controle do cartel.


