Mais da metade dos brasileiros não confia nas pessoas
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quarta-feira, 12 de março de 2014
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Londrina - Quando o assunto é confiança, 62% dos brasileiros dizem ter pouca ou nenhuma nas pessoas e 82% acreditam que a maioria só quer levar vantagem. A parcela dos que dizem confiar quase nada ou não confiar é maior entre os moradores do interior do País (64%) do que entre os das capitais (60%). Esses números que foram revelados pela pesquisa "Retratos da Sociedade Brasileira: Padrão de Vida" feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Ibope, com 2.002 pessoas em 143 municípios.
Por outro lado, 73% dos entrevistados têm muita confiança na família. Porém, indagados sobre as outras pessoas com quem convivem, a desconfiança aumenta: só 18% dizem confiar muito nos amigos, 11% nos vizinhos e 9% nos colegas de trabalho ou da escola. Apenas 6% têm muita confiança nas outras pessoas. Entre os que têm entre 16 e 24 anos, 67% dizem ter quase nenhuma ou nenhuma confiança nas pessoas. O percentual cai para 57% quando se analisa a parcela que tem 50 anos ou mais. Enquanto 85% dos mais jovens acreditam que as pessoas só querem tirar vantagem, 79% dos mais velhos dizem o mesmo.
Para o gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca, o alto grau de desconfiança do brasileiro resulta em uma sociedade mais burocrática. "Os produtos ficam mais caros porque existe a chance real de ser enganado, seja com mais medidas de vigilância, mais documentos exigidos", exemplificou.
Nesse contexto, o governo é obrigado a criar leis de controle, uma vez que não acredita que a população vá cumprir com as regras. "Se a punição acontecesse de maneira efetiva, os pequenos deslizes poderiam ser mais tolerados. Mas o que acaba acontecendo é o inverso: como as pessoas não veem as punições acontecendo, os pequenos delitos no trânsito, compra de produtos piratas, não devolução do troco errado - acabam acontecendo com mais frequência."
Ao contrário do que mostra a pesquisa, o professor Matheus Dias diz que, em geral, confia nas pessoas. "Com certeza, essa relação é maior com família e amigos próximos. Mas, no primeiro momento, costumo dar um voto de confiança, pois acredito que a maioria age de forma correta", disse.
A bancária Yeda Maria, apesar de rotineiramente pedir a confirmação de informação das pessoas em função do trabalho, também diz confiar nas pessoas indiscriminadamente. "Prefiro acreditar que o mundo não está assim tão perdido, em que ninguém confia em ninguém ou quer tirar vantagem em tudo. As relações não estão abaladas a esse ponto", avaliou.
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