Mais da metade dos brasileiros adultos tem excesso de peso
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terça-feira, 27 de agosto de 2013
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina - Pela primeira vez, mais da metade dos brasileiros acima dos 18 anos está com excesso de peso. O dado faz parte da pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada ontem pelo Ministério da Saúde. O estudo mostra que 51% da população estão acima do peso ideal. Em 2006, primeiro ano da pesquisa, o número foi de 43%. O excesso de peso atinge 54% dos homens e 48% das mulheres.
Para o pós-doutor em Aptidão Física e Saúde e professor do curso de Educação Física da Universidade Norte do Paraná (Unopar) em Londrina, Dartagnan Pinto Guedes, os dados são "preocupantes". "A verdade é que a população está gorda", resumiu. Ele credita o aumento de peso ao maior poder de compra dos brasileiros. "A obesidade é uma epidemia mundial que afeta principalmente os países em desenvolvimento, como o Brasil", analisou.
Guedes explica que a mudança de comportamento provocada pela ascensão de uma nova classe média trouxe impactos negativos na alimentação e redução da prática de atividades físicas. "A renda geralmente é investida em alimentação e lazer, mas o consumo de alimentos tradicionais caiu e o lazer se tornou muito eletrônico", constatou.
Para Guedes, o segredo do sucesso é a educação alimentar e física, mas sem exageros. "Não podemos ser radicais, falar para a pessoa comer só salada ou fruta. Ela desiste em uma semana", advertiu.
O endocrinologista Guilherme Marquezine destaca que uma dieta não balanceada pode acarretar em problemas de saúde desde níveis ruins de diabetes e colesterol até insuficiência renal.
"Com a violência nas ruas, as crianças ficam trancadas em casa com alimentos industrializados. Os jovens não saem à noite apenas para conversar, tem que ter pelo menos um aperitivo para acompanhar. A tentação é grande e a mudança de hábito se torna um objetivo difícil de alcançar", alertou.
O empresário Marcelo Aguiar, de 38 anos, é um exemplo de sucesso quando o assunto é abandonar o sedentarismo e adotar uma dieta saudável. Mesmo com o fim de tarde frio de ontem, ele caminhava às margens do Lago Igapó. "O frio não é desculpa, tem que se cuidar", brincou. Aguiar contou que chegou a pesar 10 quilos a mais, antes de mudar os hábitos, há cerca de oito anos. "Passei muito tempo me alimentando mal e isso refletiu na minha qualidade de vida. Hoje posso dizer que estou bem melhor", comemorou.
A pesquisa mostra que a capital com maior percentual de adultos com excesso de peso é Campo Grande (56%), seguida de Porto Alegre e Rio Branco com 54%, Recife e Fortaleza com 53%. Curitiba acompanha a tendência nacional com 51,6%. A frequência de obesidade e de excesso de peso na população da capital paranaense passou de 12,6% e 44,1%, em 2006, para 16,3% e 51,6%, respectivamente. O aumento ocorre tanto entre os homens quanto entre as mulheres. Na capital paranaense, o percentual de homens obesos subiu de 12,7% para 16% e o excesso de peso passou de 50,8% para 55,5%. Entre as mulheres, os índices de obesidade aumentaram de 12,5% para 16,6% e de excesso de peso, de 37,8% para 48,1%.(Com Agência Brasil).



