Salvador - Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), realizada pelo Instituto Datafolha com 1.137 pessoas em 11 regiões metropolitanas brasileiras, mostra que 51% da população não sabe o que é hepatite C e 84% nunca fez teste para a detecção da doença. Os dados foram apresentados na manhã de ontem, durante a abertura do XXI Congresso Brasileiro de Hepatologia, realizado em Salvador.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a variação da hepatite resultante da infecção pelo tipo C do vírus causador da doença é a principal pandemia do mundo, com cerca de 170 milhões de pessoas infectadas e por volta de 1 milhão de mortes por ano. Segundo a SBH, entre 3 milhões e 4 milhões de pessoas carregam o vírus da hepatite C no Brasil - na maioria dos casos, sem saber.
''O grau de desinformação sobre a doença é notório e preocupante'', avalia o presidente da SBH, Raymundo Paraná. ''Nos últimos anos, temos buscado alertar a população, mas falta o governo participar mais desse processo, falta fazer o que foi feito com a divulgação sobre o HIV, quando a doença começou a ser conhecida. É preciso conscientizar médicos de todas as especialidades, por exemplo, a pedir a seus pacientes exames para detectar a hepatite C.''
Segundo o estudo, mesmo quem afirma conhecer a doença a confunde com outras. ''Há muita confusão entre a hepatite C e a meningite C'', avisa Paraná.
Para o hepatologista, uma das possíveis causas para a falta de preocupação da população com a hepatite C é a falta de sintomas e a evolução lenta da doença. ''É uma doença silenciosa, que evolui por décadas até começar a apresentar sintomas - quando o estágio já é avançado, podendo avançar para cirrose ou câncer de fígado'', afirma. ''Estamos diagnosticando, agora, casos de infecção das décadas de 1970 e 1980. A hepatite C responde, hoje, por 40% dos transplantes de fígado no Brasil.''
De acordo com Paraná, os principais grupos de risco para a doença são populações urbanas que tenham recebido transfusões de sangue antes de 1993 ou tenham recebido injeções com seringas de vidro. ''Diferentemente da hepatite A, transmitida principalmente por água contaminada, e da hepatite B, que tem prevalência de transmissão por relações sexuais, a hepatite C tem como principal meio de transmissão o contato direto com sangue contaminado, tanto por transfusões e agulhas quanto por tatuagens, piercings, equipamentos de manicures e dentistas não esterilizados'', afirma o hepatologista.

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