Mais celulares do que habitantes
Londrina - A partir da Lei Geral de Telecomunicações, o setor de telefonia sofreu um crescimento vertiginoso no Brasil. Segundo dados da Anatel, em 1997 o País tinha 18,8 milhões de linhas fixas de uso individual. No ano passado, eram 64,7 milhões, mais que o triplo.
Entretanto, o crescimento mais expressivo foi na telefonia celular. Há 15 anos, havia apenas 4,5 milhões de linhas no serviço móvel, o que representava três para cada grupo de 100 habitantes. Em 2011, as linhas chegaram a 242,2 milhões, número mais de 50 vezes superior ao de 1997, e o Brasil possuía mais linhas de celular do que população: eram 124 para cada 100 habitantes.
Até mesmo os telefones públicos, patinhos feios no setor de telefonia, tiveram crescimento nos últimos 15 anos. Em 1997, eram 520,5 mil aparelhos, quantia que quase dobrou em uma década e meia - em 2011, chegou a aproximadamente 1 milhão de unidades. Entretanto, é importante ressaltar que esse serviço está em declínio: em 2001, o País tinha 1,38 milhão de telefones públicos, e em 2007, 1,14 milhão.
''Quando foi feita a Lei Geral de Telecomunicações, era um momento complicado. Havia uma demanda consolidada, de filas de espera para obter uma linha telefônica. O Estado tem uma lentidão natural, de atualização tecnológica, e percebeu que poderia haver esse investimento estrangeiro para aumentar os serviços em escala e depois em qualidade. A criação de uma agência reguladora foi muito importante, porque tira um pouco a característica política, embora ainda haja algum tipo de influência'', explica o professor Fernando Ciríaco Dias Neto, professor do Curso de Engenharia Elétrica da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e coordenador do Núcleo de Engenharia da Faculdade Pitágoras.
''A demanda por telefonia fixa foi rapidamente atendida. Na telefonia celular, a demanda por atendimento também foi cumprida. Quanto à qualidade, é importante lembrar que 99,7% do mercado está na mão de quatro grandes prestadoras. Para 'brigar' com esses players, realmente é uma disputa acirrada. Mas a qualidade do serviço vem melhorando, e a Anatel vem brigando por isso'', diz Ciríaco.
''Há dois desafios principais em telefonia celular a serem resolvidos nos próximos anos. O primeiro é garantir a entrada do 4G, que demorou, o Brasil ficou prorrogando os leilões das faixas. É necessário fazer a regulamentação e as empresas devem fazer a cobertura, principalmente para os dois grandes eventos que o País vai receber, a Copa do Mundo e as Olimpíadas. O segundo grande desafio é levar a cobertura para áreas de baixa densidade populacional e rurais'', aponta o professor.(F.G.)






