Mais brasileiros se identificam como negros
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de maio de 2002
Lucia Martins <br>Agência Estado 
Rio de Janeiro A década de 90 registrou um crescimento significativo dos brasileiros que se identificam como negros, mostram os resultados do censo. Em dez anos, a proporção da população que se considera dessa cor/raça pulou de 5% para 6,2%, chegando a 10,4 milhões em 2000. E, segundo avaliam os técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a transformação ocorreu porque, nesse período, houve um aumento da consciência e afirmação dos negros brasileiros.
A elevação surpreendeu até mesmo os especialistas na área porque pesquisas anteriores indicavam que o grupo de negros estava diminuindo. A expectativa é que essa seria a tendência para o futuro. Mas, segundo o IBGE, o aumento de 1,2 ponto porcentual da década é significativo e indica que os negros devem continuar crescendo.
Para a pesquisadora do IBGE, Nilza de Oliveira Martins Pereira, a mudança nos números foi fruto da conscientização da população negra nos últimos anos. Eles começam a saber qual é a importância de se diferenciar entre pardo e preto e se afirmam como grupo, afirma.
O perfil do negro brasileiro em 2000, no entanto, está muito próximo do que existia há dez anos. A maioria é homem, jovem e mora principalmente nas regiões Norte e Nordeste.
Houve mudanças também em outros grupos minoritários. O Censo 2000 também revela grande aumento do tamanho da população indígena. No início da década de 90, os índios eram 240 mil. Passaram para 701 mil.
Os técnicos do IBGE alertam que ainda é arriscado para saber se o real crescimento foi exatamente esse porque a amostra ainda é pequena (apenas 108 mil domicílios), o que leva a altas margens de erro. Ainda é arriscado afirmar que o crescimento foi exatamente esse, mas os dados indicam que o aumento deve ter sido grande, explica Nilza Pereira.


