São Paulo, 10 (AE) - A promotora Eliana Passarelli, do Tribunal do Júri de Pinheiros, solicitou e conseguiu na Justiça a quebra do sigilo telefônico de mais 18 alunos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) que participaram do trote no qual morreu o calouro Edison Tsung Chi Hsueh, de 22 anos.
O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) continua investigando o caso. O delegado Marcelo Damas, responsável pelo inquérito, é prudente em suas declarações ao falar em homicídio.
Ele acredita que Hsueh foi assassinado, mas afirma que se manifestará oficialmente somente no fim das investigações. A promotora não tem dúvida e prossegue afirmando que Hsueh foi morto e não foi vítima de "simples afogamento". Para Eliana, o rapaz foi atirado na piscina durante o trote violento, de roupa e de óculos, e impedido de sair mesmo gritando que não sabia nadar.
O corpo do calouro foi encontrado nos fundos da piscina da Associação Acadêmica Osvaldo Cruz, onde ocorreu o trote, por um segurança, na manhã de 23 de fevereiro, um dia depois da festa.
Agora são 78 estudantes que tiveram o sigilo telefônico quebrado. O objetivo da promotora é saber quem é o estudante - calouro ou veterano - que telefonou para a associação na madrugada após o trote, por volta das 3 horas, perguntando ao vigia se havia alguma anormalidade.
Para a promotora, o estudante terá de explicar por que ligou àquela hora. "Somente quem está realmente muito preocupado liga para o vigia horas depois do trote perguntando se tudo estava bem."
Eliana explicou hoje que na próxima semana o Instituto de Criminalística (IC) vai entregar os laudos periciais das duas fitas de vídeo apreendidas na associação. São fotos e degravações dos diálogos. As fitas, segundo a promotora, têm as imagens da apresentação dos calouros na faculdade horas antes do trote e o começo das brincadeiras junto à piscina.
Ela acredita que os laudos não deverão auxiliar muito nas investigações e continua à procura da terceira fita que teria as imagens da violência.
Pelo que a promotora e a polícia souberam, a terceira fita teria cenas dos veteranos agredindo os calouros, que foram jogados na piscina, forçados a beber cachaça, cerveja, e impedidos de sair da água. A fita pode ter sido destruída. "Mas quem sabe existe ainda uma cópia e alguém de bom senso possa nos mandar para que consigamos a verdade", adiantou.
Participaram do trote mais de 300 estudantes. A polícia e o Ministério Público ouviram cerca de 150 calouros. Em duas semanas os veteranos começam a prestar depoimento. O delegado e a promotora informaram que todos negaram ter visto Hsueh na piscina.
Alguns admitiram que estiveram com o rapaz até a chegada à associação. Outros declararam não ter visto Hsueh, não gostaram do trote e foram forçados a beber. Muitas garotas queixaram-se da maneira como os veteranos se comportaram cortando seus sutiãs e blusas.

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