Mais 89 internos fogem da Febem na quarta rebelião em menos de 15 dias
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quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por Natalie Antar 
São Paulo, 24 (AE) - Após mais uma rebelião, 89 menores fugiram da Unidade B do Complexo Imigrantes da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem), no início da tarde de hoje. Foi a quarta fuga registrada no local desde o dia 12. Somando todas as unidades da Grande São Paulo, cerca de mil menores conseguiram fugir da instituição. Mais da metade deles continua nas ruas. "Aqui só fica quem quer", admitiu o diretor do Complexo Imigrantes, Jorge Guedes.
Dessa vez, a revolta dos internos começou às 13 horas e durou cerca de duas horas. De acordo com Guedes, os menores estavam irritados com atrasos no relatório de avaliação realizado por psicólogos. O documento é analisado pela Justiça quando decide se o garoto continuará ou não internado. "Para amenizar esse problema, contratamos mais 12 psicólogas; agora, eles também reclamam da lentidão da Justiça em responder os processos". Os garotos acabaram fugindo, fazendo um arrastão. "Muitos escaparam pelo mato", contou. "Sabemos da fragilidade do complexo". Câmeras - Guedes também disse que não poderia garantir se funcionários do local estão envolvidos nas constantes rebeliões. "Nós já estamos apurando e vamos mandar embora os funcionários que trabalham contra a Febem", prometeu o diretor. "Para controlar o problema das fugas, vamos construir cercas mais altas: câmeras de vídeo também serão instaladas em pontos estratégicos já na próxima semana".
Guedes garantiu que as reformas começarão o mais rápido possível. "Dinheiro nós temos", completou. Segundo o diretor, antes da última fuga, havia 948 menores internados no Complexo Imigrantes. "Desses garotos, 66 eram residentes". A Polícia Militar conseguiu recapturar alguns fugitivos, Até a noite de hoje, porém, os funcionários da Febem não tinham conseguido fazer a contagem para saber quantos deles estavam foragidos. Promotoria - O promotor Mário Luiz Sarrubbo, designado pela Procuradoria Geral da Justiça do Estado para acompanhar o inquérito que apura maus-tratos a menores, disse hoje que não pretende, por enquanto, requerer a prisão de monitores acusados de espancamentos. Sarrubbo adiantou que a medida será cogitada somente após o encerramento do inquérito policial, "o que se dará o mais rápido possível". (Colaborou Thélio de Magalhães)


