Mais 500 menores fogem da Febem Imigrantes
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sábado, 11 de setembro de 1999
Por Rosa Bastos 
São Paulo, 12 (AE) - Depois de uma noite de desassossego
quando os parentes começaram a chegar para a visita, hoje, por volta do meio-dia, teve início nova fuga em massa de internos do Complexo Imigrantes da Febem, com capacidade para 350 menores, mas lotação de 1.500. Segundo informações não oficiais, fugiram cerca de 500 - um terço do total. Em torno de 200 foram recapturados. O motim começou na ala B, espalhou-se para a D e a C.
Conforme o deputado Renato Simões (PT), após as fugas, a maioria entre meio-dia e 13h30, quando a Tropa de Choque voltou, a situação ficou totalmente fora de controle. "Não se consegue fazer a chamada nas unidades, saber quem fugiu e quem ficou, afinal", disse. "A sensação é de falta de comando absoluta."
Os garotos capturados voltavam machucados, sangrando, com cortes na cabeça, hematomas, braços e pernas quebrados, ferimentos provocados por balas de borracha. A cada grupo que chegava com marcas da violência, crescia a revolta. Os recapturados queixavam-se de ter apanhado muito. Os de dentro ficavam inquietos."Não se consegue impor disciplina nas unidades", contou Simões. "Quando se pensa que acalmou, começa outro problema."
Com metade da ala D queimada, não se tinha onde acomodá-los. Sem informações dos filhos, os pais desesperavam-se. A fila de visitantes tinha mais de 200 pessoas. Aos poucos, a direção foi liberando a entrada.
Desorientados, diretores e funcionários faziam o que podiam. O presidente da Febem, Guido de Andrade, e o diretor-técnico Esaú Cobra Ribeiro não estavam lá. O deputado Paulo Teixeira (PT) classificou os tiros de balas de borracha dados pelos PMs contra mães e jornalistas como "mau uso da força". Para Givanildo Manoel da Silva, da Associação de Mães e Amigos da Criança e do Adolescente em Risco (Amar), os policiais mostraram falta de controle e respeito. "Os pais queriam informações sobre os filhos que estão sob a guarda do Estado e deveriam estar cumprindo medida socioeducativa." O governador Mário Covas (PSDB) só soube do novo motim uma hora depois do início. Ele prometeu apurar a situação.


