Curitiba - Mais 300 famílias de Quedas do Iguaçu, cadastradas junto ao MST, devem se juntar ao acampamento dos sem-terra na Fazenda Araupel. A informação é do coordenador estadual do MST na região, Elemar Cezimbra. Segundo ele, a maioria das pessoas é desempregada, alguns da própria Araupel, e viu na reforma agrária a possibilidade de melhorar de vida. De acordo com Cezimbra, o grupo irá se unir às 1,5 mil famílias já acampadas na Araupel assim que for concluído o planejamento da área para onde irão transferir o acampamento.
O líder do MST garantiu que, ontem, os acampados desbloquearam as estradas que dão acesso à área de reflorestamento da Araupel. Uma das queixas da empresa era a de que ficaria sem estoque de matéria-prima para manter o funcionamento da fábrica de papel e o beneficiamento da madeira. Segundo Cezimbra, os acampados também estavam negociando com a Polícia Militar as estradas que poderiam ser usadas pelos sem-terra.
Cezimbra está certo de que mais uma parte da Araupel será destinada à reforma agrária. Para ele, a direção da empresa não tem saída, ''já que o governo do Estado não vai despejar e o governo federal vai propor a compra de todas as áreas de granja''.
Quanto à presença de armas no acampamento, que veio à tona esta semana quando um sem-terra foi morto com um tiro no pescoço, Cezimbra disse que não é política do movimento revistar os barracos, mas que será feito um trabalho para identificar a origem de todas as famílias. As pessoas que levantarem suspeita serão investigadas e, caso tenham antecedentes criminais, serão excluídas do acampamento.

mockup