Mais 30 policiais militares do 24º Batalhão, de Diadema, estão sendo investigados pela Corregedoria da Polícia Militar suspeitos de agir com o grupo que assaltava, extorquia, espancava e matou na Favela Naval. Os nomes foram passados por pessoas atacadas pelos militares desde novembro passado. São 25 soldados, três sargentos e dois cabos. O número é bem maior do que acreditavam os oficiais do Comando do Policiamento Metropolitano (CPM).
Para discutir a crítica situação da corporação, todos os coronéis da PM foram chamados ontem ao quartel para uma reunião com o comandante Claudionor Lisboa. Em Diadema, a ordem é trocar todos os militares depois de concluídas as investigações. Estão presos 20 PMs do 24º Batalhão: 9 do grupo de Rambo - menos o cabo Ricardo Luiz Buzzeto -, da 2ª Companhia, e 11 da 1ª Companhia. Falta um cabo apontado como autor de espancamentos e ameaças.
O 24º Batalhão, chefiado nos últimos 21 meses pelo tenente-coronel Pedro Pereira Mateus, está sofrendo uma verdadeira auditoria. A suspeita dos responsáveis pela Corregedoria da PM é de que não havia comando. Soldados, cabos e sargentos saíam com os carros sem o conhecimento dos superiores e promoviam bloqueios, efetuavam prisões.
Na Favela Naval, Rambo e seu grupo promoviam todas as noites bloqueios para extorquir os moradores e os que pretendiam comprar drogas. Os carros utilizados foram doados pela Prefeitura de Diadema e, segundo denúncias recebidas pelos oficiais da corregedoria, alguns dos PMs costumavam agir até nas folgas.
O deputado Elói Pietá (PT), relator da CPI do Crime Organizado, passou os últimos dois dias no 24º Batalhão. Analisou documentos, leu inquéritos e ficou surpreso com a maneira como muitos deles foram concluídos. ‘‘A impressão é que não havia comando’’.
A Justiça decretou ontem a prisão preventiva dos dez policiais militares envolvidos na tortura e morte do conferente Mário José Josino, 30. Josino foi morto em 7 de março, durante operação policial na favela Naval, em Diadema (Grande São Paulo). A prisão foi pedida pelo delegado Mitiaki Yamamoto, titular do 2º distrito policial de Diadema, que concluiu ontem o inquérito que apurava a morte de Josino. ‘‘Temos indícios e provas técnicas que mostram o envolvimento desses bandidos de farda com esse crime bárbaro. Por isso, eles devem ficar presos até o julgamento’’, afirmou o delegado.
O alto comando da Polícia Militar de São Paulo se reuniu ontem à tarde para tentar superar a pior crise vivida pela corporação nos últimos 30 anos. A avaliação é de diversos oficiais graduados da PM. O episódio do Carandiru, que também abalou bastante a imagem da PM não teve tanto apelo emocional junto à população quanto as cenas de tortura de civis em Diadema.

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