Mais 30% dos curitibanos têm colesterol alto
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terça-feira, 05 de agosto de 2003
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Alceu Rodrigues Coiado, 40 anos, começou a sentir dores de cabeça e, desconfiado de problemas com pressão alta, foi até o cardiologista. Luiz Carlos Caggiano Santos, 48 anos, foi até o médico para fazer os exames habituais para quem já chegou na meia idade. Nas consultas, ambos descobriram que sofrem de um mal comum e que age silenciosamente: o colesterol alto.
A ingestão excessiva de alimentos gordurosos e a hereditariedade (parentes de primeiro grau que têm ou já tiveram o problema) são as causas dessa doença, que, por meio do entupimento das artérias, pode acarretar um infarto, derrame cerebral ou trombose (entupimento das artérias das pernas). O nível máximo de gordura no sangue (colesterol) de uma pessoa saudável é de 200 mg/dl (miligramas por decilitros). Coiado estava com 250 mg/dl e Santos com 215 mg/dl.
Em Curitiba, a Secretaria Municipal de Saúde registrou uma oscilação entre 20,8% e 25,7% no percentual de óbitos causados pelas doenças cardiovasculares entre 1996 e 2001. De acordo com a médica cardiologista e diretora do setor de cardiologia preventiva da Sociedade Paranaense de Cardiologia, Maria do Rocio Peixoto de Oliveira, as doenças cardiovasculares desenvolvem-se quando a gordura forma placas sólidas que podem obstruir as artérias. ''Se o colesterol elevado vier acompanhado de um ou mais fatores de risco, como a hipertensão arterial, o diabetes, a obesidade, o estresse e o sedentarismo, as chances de desenvolver eventos cardiovasculares tornam-se ainda maiores'', observa.
O médico reumatologista e coordenador do programa de prevenção ao colesterol, pressão alta e diabetes, que a Secretaria de Saúde de Curitiba vai lançar no próximo mês, Fernando Castellano, fez um levantamento informal a pedido da Folha em clínicas cardiológicas de Curitiba e constatou que cerca de 30% dos pacientes acima dos 40 anos que procuram os consultórios estão com colesterol alto. É importante salientar que esses números não incluem aquelas pessoas que não sabem que estão doentes e, por isso, não procuram um médico. Já a cardiologista Maria do Rocio constatou em sua tese de mestrado, concluída em 2000, que 54,11% dos curitibanos acima dos 30 anos sofrem desse mal. No primeiro caso, seriam 480 mil pessoas na Capital com a doença e no segundo cerca de 866 mil.
A má alimentação é o principal vilão do colesterol alto. Alimentos ricos em gordura não precisam ser banidos da dieta de quem sofre do mal, mas devem ser reduzidos. Praticar exercícios também é fundamental para evitar que o probelma se agrave. ''O ideal é que se pratique atividades físicas três vezes por semana e de preferência à tarde, pois, ao acordar, o esforço pode gerar sobrecarga ao organismo, aumentando o risco de infartos'', explica Castellano. Os especialistas recomendam também a realização de exames periódicos e o abandono de vícios como o cigarro e bebidas alcóolicas.


